Insaciáveis e sobrecarregados

Publicada em 13/10/2017 às 11:20

 

Padre Ezequiel Dal Pozzo
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O ser humano carrega consigo a insaciedade. Tudo o que faz pode satisfazer, mas não completamente. Queremos sempre mais. Não queremos que a situação piore. Se está bom, queremos que o bom permaneça e que o amanhã seja melhor. Difícil é suportar os retrocessos, as perdas, as crises que nos fazem perder dinheiro, as baixas na produção e no rendimento da empresa. Queremos, ao contrário, o mais, o melhor, o progresso.

Esse “mais” é a insaciedade que nos habita. Queremos a plenitude. Desejamos algo infinito e melhor. Isso, porém, por vezes nos sobrecarrega. Se temos um bom resultado no trabalho, queremos mais. Se a empresa teve sucesso com o produto, queremos que continue e fazemos tudo para abrir novos mercados. Queremos descobrir outros produtos que vendam bem. Se a empresa pagou seus financiamentos, queremos investir mais para crescer e aprimorar a produção e a venda.

Isso para muitos passa a ser um peso. A insaciedade sobrecarrega a pessoa e ela não consegue encontrar a paz. Para alguns fazer mais dívidas é apenas assumir mais um dos processos necessários da administração. Outros, porém, não conseguem suportar as dívidas. Investiram, mas perdem o sono e a paz. Não foram acostumados com esses procedimentos. Nasceram numa família onde não se fazia dívidas. Não pagar as dívidas sempre significou manchar a reputação. Para pessoas assim o novo investimento se torna um peso muito grande. Eles querem crescer, mas ao investir não levam em conta sua história de vida e seu jeito de encarar a vida.

É nessa hora que a insaciedade sobrecarrega. Exemplos mais simples disso ocorrem quando não fico satisfeito com os resultados que obtive no concurso, ou nas vendas, ou no desempenho no trabalho. Temos alguns impulsionadores mentais dentro de nós que nos trazem a ideia: você precisa ser melhor; você precisa ganhar mais; você pode alcançar um resultado mais positivo.
Claro, precisamos avançar sempre. Nisso a vida se torna dinâmica e flui. No entanto, precisamos perceber em que intensidade a nossa insaciedade nos sobrecarrega. Se estivermos sempre carregados demais, precisamos largar algumas ideias que nos machucam e adoecem.

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