DE 1964 A 2022
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Ronaldo Ausone Lupinacci*

1-) Desde 1964 até hoje se passaram 58 anos; em 1964 completei 16 anos; no próximo mês chegarei aos 74, de modo que como observador político atento – e, sobretudo por deter postura ideológica definida e coerente advinda de minha formação católica apostólica romana – estou credenciado para escrever as linhas que se seguem.

2-) Estamos vivendo dias semelhantes aos do início do ano de 1964, quando o governo federal era presidido por João Goulart, quem estimulava o movimento esquerdista, comandado pelos comunistas e os habituais idiotas úteis.

3-) Jango (João Goulart) tencionava implantar aquilo que denominava “Reformas de Base”, e cujo carro-chefe consistia na “Reforma Agrária” confiscatória; o País vivia em clima de apreensão, tanto mais porque agitadores teleguiados (como sempre) abriam o caminho em direção ao socialismo-comunismo, fomentando o descontentamento e a discórdia para chegar à luta de classes, e, à eventual guerra civil destinada à obtenção do poder, caso não o alcançassem mediante as bem conhecidas trapaças políticas, rotuladas como “reconciliação”[i]  ou quejandos.

4-) Desde mais ou menos o ano de 1962 fora se formando crescente oposição civil ao governo de Jango, pouco ruidosa no início, e, gradativamente enfática depois; a reação da maioria silenciosa se articulava e se fortalecia.

5-) No que seria uma segunda fase daquele governo começaram a pipocar manifestações populares hostis a Jango, enquanto este e seus cúmplices insistiam nas reformas socializantes.

6-) Para não alongar este histórico diremos, somente, que a indignação geral da sociedade chegava a tangenciar a linha da insurreição, tornando-se muito previsível o conflito armado entre as duas facções em curto prazo.

7-) Nesta altura, as Forças Armadas decidiram intervir para restabelecer a paz, depondo Jango que fugiu para o Uruguai, e, dispersando seus barulhentos, mas frouxos adeptos.

😎 Ao movimento civil-militar de confronto a João Goulart se deu o nome de “Revolução de 31 de março”, o qual não refletia a realidade por que se constituiu em fenômeno híbrido, posto nele se alojarem, incoerentemente, (no âmbito da Filosofia da História) elementos da Revolução e elementos da Contra-Revolução.

9-) O novo poder iniciado em 31/03/1964 seguiu orientação consentânea àquela origem híbrida (governos Castelo Branco, Costa e Silva, Junta Militar e Médici). Em outras palavras apoiou e favoreceu a direita em alguns pontos, e, ao mesmo tempo impulsionou metas esquerdistas em outros pontos, ficando, aparentemente, situado naquele espaço ideológico amorfo e contraditório designado no linguajar político corrente por “centro”.

10-) Entretanto, vagarosamente, aquele ente político andrógino, que se confundia no Estado, foi se deslocando para a esquerda (governos Geisel, principalmente, mas também o de João Baptista Figueiredo), embora por ela combatido – na mera superfície dos fatos – em assuntos de importância secundária como o das eleições diretas, até que o “Sistema” acabou por entregar (melhor seria dizer “devolver”) todo o poder político à esquerda moderada (Nova República, com José Sarney).

11-) Desde a esquerda moderada, o Estado permaneceu deslizando pelo mesmo gradiente até ficar sob o controle da esquerda radical não violenta (Lula-Dilma).

12-) Em 2013, até de certo modo surpreendentemente, houve uma freada do processo esquerdizante na opinião pública, com gigantescas manifestações de protesto de feição conservadora, e, em seguida o roteiro da sociedade passou a se dirigir ao centro (Temer), e, logo depois à direita(Bolsonaro); este período marca a retirada da mordaça que os políticos, e, sobretudo a mídia impunham despoticamente à opinião pública, com a entrada em cena das redes sociais, que devolveram ao povo a liberdade que lhe havia sido surrupiada[ii].

14-) Por qual motivo foi aqui descrito o histórico constante das linhas precedentes? Ora, como se viu, o Brasil safou-se do comunismo em 1964, mas a indolência, o estrabismo, a cegueira, as defecções vindas de “lideranças” verdadeiras ou postiças, e, impulsionadas pelo aparelho de propaganda da falsa direita, paralisaram a contra-ofensiva conservadora, levando-a ao desânimo e à inação.

15-) Desta situação as esquerdas – sectárias, astutas e incansáveis, pela sua fanática metafísica igualitária – souberam tirar proveito, e, gradualmente ficar com as rédeas do jogo em suas mãos.

16-) As esquerdas “ressuscitaram” politicamente Lula através de embustes variados, “jurídicos” e meta jurídicos, porque é ele o seu único líder,  capaz de conduzi-la ao sucesso, ou seja ao poder; no mais dança, de forma desajeitada, através de figuras medíocres ou grotescas até, e , alguns poucos cérebros engenhosos que atuam nos bastidores; a “ressurreição” contou com o indispensável apoio da falsa direita – perita nas “artes” da dissimulação e da tapeação – dos interesseiros de sempre, ricos e pobres, de “artistas” bem subvencionados; intelectuais autênticos uns, pretensiosos na grande maioria; ricaços das muitas áreas da economia, especialmente banqueiros. Ah!!! Ia omitindo o mais importante: as cúpulas religiosas traidoras, Dom Hélder Câmara na dianteira.

17-) 58 anos, em boa parte perdidos, merecem sensatas reflexões por parte daqueles – sempre minoritários – que aspiram reerguer a Nação, e, efetivamente batalhar em tal sentido, pois o curso da História é, invariavelmente, determinado por minorias lúcidas e ativas, não pelas maiorias, mesmo as que compostas apenas por poucos indolentes, outros tantos carentes de discernimento, e, dos ávidos tão somente do gozo da vida.

18-) Aliás, Lênin sabia disso, porque com apenas 90 (noventa!!!) revolucionários profissionais subjugou o Império Czarista, putrefato, e desorganizado. Não custa aprender, mesmo que seja com Lênin, já que não aprendemos com Nosso Senhor Jesus Cristo, que precisou de bem menos colaboradores, posto ter mudado o mundo e a História com somente doze homens.

18-) A segunda lição que se extrai, depois de 58 anos – mais do que os 40 em que os judeus vaguearam pelo deserto – é a de que temos de ser inflexíveis com o mal: proscrever falsos consensos, unanimidades fabricadas, acordos velhacos, silêncios medrosos, “misericórdias” carolas, “pacificações” ilusórias, sentimentalismos ocos, cientes de que o mal não pode ser eliminado da face da Terra, mas pode ser pulverizado ao nível da insignificância, se houver resiliência, pertinácia e ousadia na persecução  do objetivo.

Creio que deu para entender bem, embora alguns matizes do assunto tenham sido propositadamente embaçados.  Agora, mãos à obra, porque no atual estágio dos fatos não existe mais qualquer possibilidade de retorno, apesar das lutas hercúleas que teremos pela frente, até concluir a limpeza.

* o autor é advogado

[i] O uso de aspas (“”) pode parecer excessivo, mas é a forma de apresentar as ironias que as aspas sugerem, como recurso de retórica porque, segundo o jurista Carlos Maximiliano, a ironia leva a palma o vitupério, tão necessário nos dias atuais.
[ii] https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/07/130628_protestos_redes_personagens_cc
Jornal Nova Fronteira