Barreirenses, alertai-vos!

Publicada em 11/06/2015 às 15:50

aeroporto

Vinícius Lena

Certa feita a historiadora barreirense Ignez Pitta de Almeida, em um artigo publicado neste jornal, alertava sobre os riscos que Barreiras corria a partir da emancipação do ex-distrito de Mimoso do Oeste. E citava como exemplo o que ocorrera no passado com Taguá – que era sede de um grande município – quando Barreiras se emancipou daquele em 1891. Temerosa, Dona Ignez documentava e procurava alertar as autoridades barreirenses, através de suas observações futuristas e pesquisas, que embora as duas localidades estivessem surgido à beira do Rio Grande, e não muito distante uma da outra, enquanto Barreiras se desenvolvia desde então de forma pujante, Taguá, que era a sede de um enorme município, minguava para se tornar o que é hoje apenas um vilarejo de pescadores sem expressão, adido ao município de Cotegipe.

É claro que isso não ocorreu porque os tempos são outros. Mimoso do Oeste, – que se emancipou já sob o nome de Luís Eduardo Magalhães – no ano 2000 contabilizava 20 mil habitantes e hoje conta com 80 mil e Barreiras que contava com 70 mil, hoje contabiliza 150 mil, mas os cuidados e alertas continuam válidos até hoje. E sempre. Embora as duas cidades continuem cada uma com seus fatores econômicos e sociais a se desenvolver harmonicamente – pelo menos nas aparências – é claro, claríssimo, que ambas lutam e procuram alcançar e manter a posição de hegemonia na região Oeste da Bahia. Em nossa avaliação esta hegemonia hoje ainda pertence a Barreiras. Mas até quando?

Após estas divagações históricas, necessárias para abordarmos o que acontece hoje, vamos aos fatos relevantes. Quando se criou o novo município no distrito de Mimoso do Oeste era muito compreensível que o foco do agronegócio fosse todo, ou quase todo, centralizado lá por razões óbvias: era a centro da zona produtiva dos chamados Gerais da Bahia. E Barreiras absorveu o impacto de ver diminuído 20 mil habitantes e grande número de empresas do setor – também por motivos óbvios – porém continuou a crescer e se desenvolver no mesmo ritmo de sempre, estribada em outros fatores econômicos. Que não citamos para não estendermos muito nossa análise.

Acontece que o que ocorre ultimamente, como o crescimento do agronegócio, com o mega-evento do Bahia Farm Show, nada disso preocupa Barreiras. Até merece aplausos e apoios logístico e políticos, pois quanto maior for este, que já é o maior evento do agronegócio do Norte/Nordeste da Brasil, servirá de promover a toda a região e ao futuro Estado do Rio São Francisco, se um dia este vier se concretizar.  Porém as reivindicações atuais de empresários e do executivo municipal de tornar como aeroporto central e comercial, o aeroporto de Luís Eduardo Magalhães, em detrimento do histórico Aeroporto Regional de Barreiras, este planejamento é o que deve deixar em alerta – com sinal vermelho – as autoridades barreirenses. Pois é público e notório que lá a iniciativa privada, dona do empreendimento, já está com um aeroporto prontinho, com pistas de acesso asfaltada pelo Estado, iluminação sendo concluída e pistas nos padrões para pousos e decolagens de grandes aeronaves. E sabe-se também que os planos dos empresários é fazer a doação de tudo para o Estado da Bahia, afim de que este possa efetivar os devidos registros junto a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), e assim transferir todos os vôos comerciais para L.E.M.

Enquanto isso o histórico Aeroporto Regional de Barreiras, construído pelo Exército Americano em 1940, que já teve à disposição recentemente de R$ 54 milhões para aumentar a pista em mais 700m e construir um novo terminal de passageiros, compatíveis com o pouso e degolagem de aviões de grande porte, teve o início de suas obras embargadas pelo Controladoria Geral da União (CGU) por constatação de vícios e irregularidades no edital de licitação.

E dessa forma antevê-se que, se nossas lideranças, autoridades constituídas e representantes, dormirem em seus postos, os aviõezinhos irão levantado vôos, um por um, para pousar em outras freguesias. E o Aeroporto Histórico da Serra da Bandeira, ficará para pouso e decolagem de avionetas. Ou de mutucas ou quero-queros.

(N.A. – Há outro assunto. A construção do Ceasa que pretendo abordar nas próximas análises)

7 Comentários

  1. Flavio disse:

    Senhores (as), sou um barreirense de longe, pois moro atualmente em Brasília. De uns tempos para cá, tenho acompanhado as notícias de Barreiras e região. Na visão de alguém nascido em Barreiras, vejo com preocupação a notícia de aeroporto em LEM se impor ao de Barreiras. Vejo, porém, que os moradores de Barreiras devem, de fato, não só ficar preocupado, mas ficar atentos ao que acontece nos bastidores e agir. Tudo acontece nos bastidores! Barreirenses, vamos ficar atentos e agir.

  2. pedro disse:

    Na visão de uma comunista, como vocês podem observar, querem a interferência do poder público em tudo, até no crescimento de uma cidade e distorcem os bons interesses do setor privado. Como se a construção de um aeroporto internacional em LEM pela iniciativa privada fosse um absurdo. Grande parte das redes elétricas de todo Oeste da Bahia foram construídas por agricultores e empresas privadas e depois doadas para o estado. O fato de uma cidade ser mais nova e crescer mais e as antigas ficarem para trás acontece em todas as partes do mundo, basta pesquisar. Tenho certeza que se a ferrovia leste -oeste fosse privatizada já estaria funcionando à tempos.
    COMUNISTAS VÃO PRA CUBA DEIXEM O BRASIL PRA QUEM QUER TRABALHAR E GANHAR DINHEIRO.

  3. Cemat disse:

    Não se trata de uma cidade quebrar a outra,pelo contrário,queremos construir juntos desenvolvimento para nossa região,progresso,geradoras de riquezas,emprego e renda,cidades bem estruturadas,condições de vida para a população,segurança,educação de boa qualidade para nossos filhos,lazer,saúde,etc,etc, agora, gestor que tiver competência,responsabilidade com o erário público sairá melhor, talvez o que esteja faltando em nossa região e vontade política.

  4. carlos disse:

    Se roda velha emancipa-se amanhã. quebraria as penas de luis eduardo magalhães-Ba.

  5. joao disse:

    Lem que aguarde também… porque quando roda velha se emancipar..será uma cidade tao pujante quanto lem, e só nao fizeram ainda pra nao atrapalhar o desenvolvimento de lem….. roda velha, vai competir com lem de igual pra igual.. e a hora seria agora. por que roda velha nao se emancipa logo como fizeram com lem… capamha emancipa RODA VELHA.

  6. Cemat disse:

    Vai acontecer igualmente como ocorreu no Sul da Bahia,Eunápolis (BA) era povoado da cidade de Santa Cruz de Cabralía (BA), hoje Eunápolis desenvolveu, possui 93.000 mil habitantes,Santa Cruz de Cabralia na passa de 27.000 mil habitantes, lá foi falta de vontade politica, e se acontecer por aqui, a quem atribuiremos?

  7. Adelar Dezingrini disse:

    Isso acontece com quem dorme no ponto, o trem passa e vai pro próximo.

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