“o velho mundo toca o seu fim, ferido em pleno coração pelo nosso arco e flecha”

Publicada em 26/08/2021 às 16:56

*Rogério Nascimento, com ressignificação minha.

Como a sua coluna tem sido movimentada pela cultura?

Imagine a seguinte situação corporal em você, em que esse membro, a coluna, que sustenta o seu corpo, te possibilitando a realizar diversos e significativos movimentos, passasse a se enrijecer, te causando uma fixa paralisia vertebral. A causa para isso, nessa imaginação, foram os inúmeros golpes e ataques que essa sua coluna sofreu.

Agora, vamos pensar sobre o exato momento em que esses ataques foram proferidos a sua coluna. No momento desse ataque, havia mais de uma pessoa. Logo, temos nessa violenta imaginação, cúmplices. Com a coluna acometida pelas fraturas da violência, ela se tornou paralisada. Você então, nessa situação, se inspira em mudanças já realizadas por outras colunas vertebrais fraturadas e deseja realizar um levante que possibilite a exposição junto com estratégias de lutas contra as pessoas que lhe agrediram. Afirmando em suas palavras, passos e gestos que faz isso para prevenir que toda e qualquer violência não acometa outras colunas.

Da violência ao levante, existem as cumplicidades. Existem também, as estratégias de recuar e avançar, assim como atacar e se defender, e até de se permanecer à espreita. Pensando nisso, para qual finalidade e em que elas serão acionadas, você poderá realizar uma exitosa contribuição ao campo de estudos sobre a cultura, afinal, a humanidade precisa de experiências que deem calafrios em suas colunas, preferencialmente advindas da arte e não das violências.

Interessemos por Ética coletiva – Habitar coletivamente.

Sabemos que podemos ser cúmplices a ações de desvalorização e invisibilidade sistêmica do povo. Que a lógica de adjetivar como bom ou ruim é antes de qualquer coisa, uma fuga crítica. Porém, possuímos a consciência também, e se espera que tenham, afinal, somos racionais ou não somos? De que podemos ir mais profundamente, como um mergulho no rio, desejando olhar a lama ou buscar pedrinhas e retornar para comemorar a conquista. E se não conseguindo em uma primeira vez, podemos ter cúmplices que nos estimulem e até mesmo vá junte nessa profundeza. Nada melhor do que um cardume, não é mesmo?! Sensível em seus movimentos sincronizados. Coletivas colunas formando uma única em si.

E o agora desses corpos, dóceis ao marco do capitalismo, obedientes aos mitos religiosos, vivendo para fazer planos. Por onde recomeçar? Se não admitimos nenhuma autoridade ou hierarquia econômica, e necessitamos da liberdade, seja ela contemplada no trabalho, no consumo e no pensamento, prevejo uma integração humana em dignidade de ser vivida.

Se só sou se você é, então o que estou sendo e me tornando poderá ser para você, assim como você para mim. Convocar a olhar a sua ferida não é mais sua, e sim coletiva.

Interessemos por Ética coletiva – Habitar coletivamente.

A democracia cultural que aconteceu em anos anteriores, com a interiorização dos investimentos públicos, hoje já não é respeitado. E se você é atento a sua volta, poderá perceber como a sua comunidade está sendo organizada, como também, identificar se há força nesta sociedade civil organizada.

A cultura na centralidade do debate político, necessita de conversas sinceras e responsabilidades políticas, pois vem como uma categoria em provocar mudanças, e em tempos, as civilizatórias.
Danilo Lima é bacharel em artes cênicas – interpretação teatral, especialista em estudos contemporâneos em dança, com participações em festivais de artes cênicas e de videodança em território nacional e internacional.

*Há no texto apropriações e ressignificações a partir do livro Anarquismo e Anarquia, de autoria de Rogério Nascimento.

1 Comentário

  1. Bernardo Oliveira disse:

    Na cultura ou no sobre salto dela, como a sociedade civil se organiza, cultura é importante pra quem? Pra que cultura? É interessante, se faz interessante o seguinte trecho também: ” Que a lógica de adjetivar como bom ou ruim é antes de qualquer coisa, uma fuga crítica. (…)”, ainda nem digerimos os ataques proferidos a cultura. Tá aí uma boa discussão, quantos textos desse tipo habitam jornais como esses? Para além da lógica da crítica jornalistica, podemos estruturar e dar espaços em jornais para outros pensamentos não-coloniais, a mídia é colonial? Penso eu, que a cultura é sim essa coluna que de tempos e tempos é aleijada, golpeada, a cada gestão uma não-ideia de um gestor, ganha se o posto perde a cultura, é só olhar ao redor na sua cidade quantos espaços de cultura tem na sua cidade?

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