Operação Faroeste: Propina narrada em escritura pública

Publicada em 11/12/2019 às 16:15

Fonte O Antagonista

Na denúncia da Operação Faroeste, que acusa magistrados, advogados e empresários de negociarem decisões judiciais para favorecer esquema de grilagem de terras na Bahia, a PGR anexou uma escritura pública, registrada em cartório em 2014, na qual uma testemunha narra como alguns dos envolvidos comemoraram a compra de uma liminar por R$ 1,8 milhão.

Genivaldo dos Santos Souza relatou que, em dezembro de 2013, estava num espetinho, quando apareceu Joílson Dias acompanhado de três pessoas, entre elas Adailton Maturino.

Joílson é filho de José Valter Dias, acusado de obter a posse de terras no oeste do estado por meio de Adailton, o principal suspeito de negociar as decisões junto ao TJ-BA.

Relata Genivaldo sobre o encontro:

“Estavam todos gesticulando e sorrindo muito, sentaram numa mesa próxima e começaram a conversar entre eles. Talvez pelo barulho do local, não se preocuparam em falar em tom mais baixo, o que fez com que eu escutasse toda e conversa e comentários [sic], fato que me chamou a atenção, já que discutiam sobre o Tribunal de Justiça da Bahia”, narrou.

“Entendi que estavam comemorando uma vitória no Tribunal, sendo que o sr. Joílson, o mais empolgado, dizia abertamente que com dinheiro, tudo se consegue, que a corrupção rola solta, que com dinheiro, não precisa nem de advogado. Os demais concordavam e também se manifestavam e faziam brincadeiras entre eles”, continua Genivaldo.

“Escutei o sr. Joílson falar que havia gastado muita grana para conseguir a posse dos imóveis na coaceral. Disse que para conseguir a decisão, entregou para a desembargadora R$ 800.000,00, para ela comprar um apartamento, além de R$ 1.000.000,00 em dinheiro, mas que estava satisfeito. Que agora o outro pessoal não ia conseguir derrubar a liminar de jeito nenhum”.

A desembargadora, no caso, é Maria da Graça Osório, segundo a PGR. Em setembro de 2013, ela teria determinado a abertura de 17 matrículas dando a posse de imóveis rurais a José Valter Dias.

Em 2014, Genivaldo, o autor da escritura, foi executado com mais de oito tiros pelo guarda municipal Otieres Batista Alves. Em 2018, o último foi assassinado à luz do dia, “como possível forma de se evitar a identificação dos verdadeiros mandantes do primeiro homicídio”, diz a PGR.

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