O DERRADEIRO COMBATE DO DEMÔNIO

Publicada em 19/03/2021 às 17:10

Ronaldo Ausone Lupinacci*

Tomei emprestado o título deste artigo do livro escrito por uma comissão de estudiosos encabeçada pelo Padre Paul Kramer, livro sobre o qual irei discorrer nas linhas que se seguem (https://fatima.org/wp-content/uploads/2018/02/Devils-Final-Battle-Book-One.pdf, do original em inglês). Entretanto, o livro não visou diretamente o diabo, mas a sua mais recente e principal batalha, e nisso reside a sua grande importância, seja para a compreensão do que vem acontecendo – pelo menos desde 1958 para cá na Igreja e no mundo – seja para a compreensão do futuro próximo. O referido livro teve muito larga difusão, em que pese o silêncio pesado que lhe devotou a chamada “grande mídia”, por motivos muito fáceis de entender. A edição em português é de fácil acesso, inclusive pela Internet, e aconselho a leitura porque não será possível nas duas páginas de um artigo de jornal resumir todo o conteúdo daquela portentosa obra[1]. Feita esta breve introdução passo ao assunto do livro.

Na essência, o trabalho do Padre Paul Kramer descreve, em pormenores, o conjunto de manobras do Vaticano iniciadas em 1960 para sabotar a Mensagem de Fátima transmitida por Nossa Senhora em 1917, e, em especial para ocultar a terceira parte do Segredo, que se sabe falar da apostasia na Igreja Católica Apostólica Romana. Apostasia que, muito sinteticamente, se define como abandono da Fé, e, que está chegando ao auge no pontificado do Papa Francisco, como se viu nestes dias com o projeto de fusão de diversas religiões em Ur[2]. Aliás, a vidente Irmã Lúcia na última versão que escreveu acrescentou a observação segundo a qual em Portugal seria conservado o “Dogma da Fé”, dando a entender que a Fé desapareceria ou ficaria obscurecida em grande parte do mundo. Vale dizer anunciou grande apostasia segundo admitiu o Bispo de Fátima Dom Alberto Cosme do Amaral.

Como se sabe a Mensagem de Fátima é composta de três partes distintas reveladas aos videntes Lúcia, Francisco e Jacinta. A primeira parte contém a visão do Inferno. A segunda aborda os erros da Rússia consubstanciados no comunismo e das conseqüências de tais erros, que causariam guerras com o aniquilamento de nações. A terceira parte constava de dois documentos: um deles uma visão mística escrita em caderno, e, o outro de uma carta. Esta terceira parte, segundo instruções de Nossa Senhora, deveria ter sido revelada depois do pontificado do Papa Pio XII (que terminou em 9 de outubro de 1958) e antes do ano de 1960. Questionada sobre a razão do aludido período (outubro de 1958 e 1960) a vidente Lúcia esclareceu que então “pareceria mais claro”. Ora, o aludido período de menos de dois anos coincidiu com a eleição do Papa João XXII e o anúncio de convocação do Concílio Vaticano II. Constatando-se que o mencionado Concílio inaugurou a maior apostasia de toda a história da Igreja Católica compreende-se bem porque ficaria “mais claro”.

Tomando conhecimento da carta que continha a terceira parte da Mensagem de Fátima, João XXII não quis publicá-la, e quando indagado sobre tal decisão pelo Cardeal Silvio Oddi proibiu expressamente aquele prelado de tocar no assunto. Assim, em fevereiro de 1960 o Vaticano expediu nota (anônima) dizendo que a parte secreta nunca seria levada ao público. Os sucessores de João XXIII, e de Paulo VI, até o atual Papa Bergoglio mantiveram aquela decisão de enigmático silêncio.

Acontece que o inexplicável mutismo do Vaticano (não justificado pela inconvincente explicação do então Cardeal Ratzinger, depois Papa Bento XVI segundo a qual não se divulgava o conteúdo da terceira parte da Mensagem para evitar “exploração sensacionalista de seu conteúdo”[3]) passou a inquietar os fiéis até porque neste meio tempo vieram à luz depoimentos de pessoas altamente situadas que conheciam o segredo, direta ou indiretamente, e o ligavam à apostasia: a) do Padre Schweigl; b) do Cardeal Ottaviani; c) do Cardeal Ciappi; d) do mesmo Cardeal Oddi; e) do arquivista de Fátima Padre Alonso; f) do Padre Antonio Maria Martins; g) do Padre Malachi Martin; h) de Dom Alberto Cosme do Amaral.

Diante da insistência do público católico pela revelação do segredo o Vaticano armou uma farsa no ano 2000 quando declarou ter divulgado aquela terceira parte. Ocorre que foi publicado somente o fragmento que refletia a visão mística, mas não a carta que a vidente Lúcia escrevera. E, para desmascarar a fraude o Padre Paulo Kramer escreveu o livro que dá o título deste artigo.

Depois da edição do livro “O Derradeiro Combate do Demônio”, foi publicado em Portugal documento que seria a carta com a terceira parte do Segredo. Embora se apresentasse plausível, o documento continha indícios de adulteração. Em vista dos aspectos contraditórios (veracidade e falsificação) Átila Sinke Guimarães empreendeu meticuloso estudo para chegar ao provável texto[4]. A decifração do texto por ele efetuada permite concluir, em resumo que: a) o centro da mensagem reside na apostasia na Igreja; b) a carta se refere a uma visão na qual o Papa aparece à frente de multidão a louvar o demônio; c) na mesma visão o Papa entra em igreja de feição modernista designada como “Igreja do Inferno”; d) se depois de algum tempo Roma continuasse “sua abominação” a cidade seria destruída.

Como se vê a carta não se refere propriamente a cataclismos político-bélicos como muitos acreditavam. Estes, todavia, se já estavam previstos na segunda parte da mensagem, foram mais tarde explicitados pela vidente Lúcia a partir de outra visão que teve no ano de 1944, mas tornada pública pelo conhecido estudioso italiano Antonio Socci somente em 2014[5]. Disse então a vidente (Irmã) Lúcia: “senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, — A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, — Ela estremece: montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente sem número que não se pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. — O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora!”[6].

A visão, como é fácil perceber, alude a perturbação telúrica sem precedentes oriunda de uma guerra, e, ratifica a previsão constante da segunda parte da Mensagem de Fátima segundo a qual diversas nações serão aniquiladas. Escrevendo sobre o assunto Plínio Corrêa de Oliveira observou que “com a dissociação do átomo, o homem adquiriu a possibilidade de provocar cataclismos de proporções incalculáveis”, mas não adquiriu o “poder de frear esses cataclismos”, de modo que “a catástrofe atômica, provocada eventualmente por uma guerra filha do pecado, produziria só por si os castigos cósmicos que a Mensagem deixa entrever”[7]. Tais castigos cósmicos foram mostrados metaforicamente no famoso Milagre do Sol ocorrido na aparição de Nossa Senhora em 13 de outubro de 2017 – quanto o Sol “girou” e pareceu precipitar-se sobre a Terra – fato este presenciado por 70.000 pessoas, registrado nos jornais da época, e, depois, também silenciado, apesar de solidamente documentado inclusive no livro “O Milagre do Sol” escrito por John M. Haffert (São Paulo, Editora Petrus, 2012)[8]. Verifica-se, assim que os castigos decorreram e decorrerão da apostasia.

O Padre Kramer concluiu sua obra com uma gravíssima acusação a altas autoridades do Vaticano (Sodano, Ratzinger, Castrillon Hoyos e Bertone) empenhadas, segundo ele, em enterrar a Mensagem de Fátima, para encobrir a devastação causada pelo Concílio Vaticano II. Desta devastação temos a cada dia exemplos e para mencionar apenas alguns poucos fatos indico a catástrofe que atingiu o Chile no governo Allende (sustentado pelo Episcopado e pelo Clero), a ruína da Nicarágua, e, cá no Brasil, os governos do PT, partido nascido de favores da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Portanto, se alguém quiser impugnar este artigo deverá, antes, refutar o livro do Padre Kramer, tarefa esta que reputo impossível em razão da lógica de seus argumentos, e, da força arrasadora das provas que coligiu. E, por isso mesmo até hoje não foi refutado.

*O autor é advogado.

[1] https://arcanjomiguel.net/livro-derradeiro.html

[2] https://www.traditioninaction.org/RevolutionPhotos/A927-Abr.htm

[3] No livro “A FÉ EM CRISE”, p. 80.

[4] https://www.traditioninaction.org/HotTopics/g33ht_Decipher.htm

[5] https://www.antoniosocci.com/novita-apocalittiche-da-fatima-lultimo-mistero-il-silenzio-delle-suore-ma-chi-tace/

[6] https://ipco.org.br/sai-luz-impressionante-complemento-da-mensagem-de-fatima/

[7]  https://www.pliniocorreadeoliveira.info/PRE_85-03_Edi%C3%A7%C3%A3o_norte-americana_FATIMA_dead_or_red.htm

[8] https://www.mediotejo.net/especial-fatima-o-relato-inedito-de-uma-testemunha-do-milagre-do-sol/

2 Comentários

  1. J. Cícero Alves disse:

    Já advertia São Pio X: “Os piores inimigos da Igreja estão dentro dela” !!

    Por sua vez, dizia o Papa Paulo VI: “A fumaça de satanás entrou dentro da Igreja”.

    E a própria Bíblia profetiza: “…”virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de ouvir novidades, ajustarão mestres para si. “Apartarão os ouvidos da verdade e atirarão às fábulas.” (II Timóteo 4,1)

  2. Lucas Janusckiewicz Coletta disse:

    Prezado colega. Gostei muito do seu texto. Pecado maior do que Ratzinger e os modernistas que demoliram a fé, com o falso terceiro segredo, são os ditos conservadores e tradicionalistas que o aceitaram sem nenhuma ressalva, embora devessem impugná-lo por completo.

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