NOTAS SOBRE O QUARTO PODER

Publicada em 08/03/2021 às 14:18

Ronaldo Ausone Lupinacci*

Em livro dedicado a analisar as Comunidades Eclesiais de Base, conhecidas por “CEBs”, escrito há quatro décadas, quando aquelas organizações se achavam em expansão (hoje se encontram em notório declínio), Plínio Corrêa de Oliveira observou, com percuciência, que a ordem jurídica “não contém em si toda a realidade dos fatos” (“AS CEBS DAS QUAIS MUITO SE FALA E POUCO SE CONHECE”, Editora Vera Cruz, 1982, página 51). Este comentário o fez em vista dos Poderes da República, ou seja, do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, como se sabe, para focar a atenção em outro poder – oficioso e paralelo – representado pelos Meios de Comunicação Social (jornais, TV, rádio e revistas). Naquela matéria abordava também o Quinto Poder exercido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que governa as referidas Comunidades Eclesiais de Base, mas não será este o assunto destas linhas.

Para comprovar sua afirmação sobre o poder dos Meios de Comunicação Social, aquele conhecido pensador e escritor, partiu de lúcida apreciação feita pelo literato Carlos de Laet, que foi Presidente da Academia Brasileira de Letras. As palavras de Carlos de Laet, pronunciadas em discurso proferido no já bem distante ano de 1902, conservam eloqüente atualidade, apesar de mudança de algumas circunstâncias tais como a perda de credibilidade dos grandes conglomerados da mídia, e, o surgimento das chamadas redes sociais (Facebook, Twitter, etc.).

Dizia então Carlos de Laet que “os povos vivem a combater fantasmas de tiranias, e indiferentes às tiranias verdadeiras”, e completou afirmando que “o povo ainda não compreendeu que uma das maiores tiranias que o conculcam é a da imprensa”. Por tirania definia “o indébito e opressivo poder exercido por um ou por poucos contra a grande maioria dos seus conterrâneos”.

Prosseguiu Carlos de Laet apontando para “o número imenso de homens que não figuram, não podem figurar na imprensa, uns porque lhes faltam aptidões, outros por negação a este gênero de atividade, outros porque não têm dinheiro ou relações que lhes abram as portas dos jornais”, em contraposição ao minguado número de jornalistas que formam “uma verdadeira oligarquia”.

Concluiu de Laet que esse grupo minúsculo detém enorme poder porque pode, efetivamente, “influenciar no governo de um país, constituindo aquilo que já se chamou – o quarto Poder do Estado”. Em verdade, a partir do século XIX a imprensa havia adquirido força indiscutível porque passou a dispor de meios para conduzir e seduzir a opinião pública, em razão de particularidades históricas que também não irei analisar.

Continuando sua análise Plínio Corrêa de Oliveira registrou que o Quarto Poder – os Meios de Comunicação Social – estava passando por fase de “unanimidade impressionante”, fato este que iria atrair a atenção dos futuros historiadores, conquanto, então, passasse despercebido. Assim, os impulsos por ele dados à Nação sopravam num só sentido, pois as variantes de matiz de cada órgão de imprensa não prejudicavam convergência de todos em uma só direção. Parece-me, também, que este cenário não se alterou muito de lá para cá, e, sobre isso destaco alguns pontos, entre tantos outros que poderiam ser mencionados:

– a enxurrada de notícias falsas ou tendenciosas sobre supostas mudanças climáticas e sobre o meio ambiente;

– o bombardeio incessante contra os governos de Bolsonaro, de Donald Trump e contra seus apoiadores;

– a indigesta repetição de notícias, em geral inúteis, sobre a Covid-19, tendentes a provocar pânico;

– o incentivo ao racismo.

Como a mídia é controlada direta ou indiretamente pelas esquerdas não é difícil discernir os objetivos de tal noticiário.

Nesta empreitada agora se engajaram os dirigentes das redes sociais que querem censurar manifestações dos usuários sob o pretexto de coibir a divulgação de mentiras (“fake news”) [1]. Ora, as redes sociais facultaram aos homens comuns o acesso ao público para divulgar informações e externar opiniões pelo que tiveram, no geral, efeito benéfico na medida em que quebraram o monopólio que se achava nas mãos dos dirigentes do Quarto Poder. E, neste contexto contribuíram para – ao menos – diminuir a passividade induzida pela propaganda, que inibia as reações da maioria silenciosa a iniciativas escabrosas como a liberação do aborto, a promoção do homossexualismo, a ideologia de gênero, a liberação das drogas alucinógenas, a leniência com a criminalidade.

Os expedientes para manipular a opinião pública são sutis e variados, e, dentre eles:

  1. a) não divulgar fatos que se alinhem contra o “politicamente correto”;
  2. b) ignorar pessoas e entidades que se posicionam na defesa de idéias conservadoras;
  3. c) difamar aqueles adversários, inclusive mediante alusões pejorativas (“negacionistas”, ou “céticos”, por exemplo);
  4. d) explorar desmedidamente assuntos irrelevantes bloqueando a atenção e reduzindo a capacidade de análise;
  5. e) usar e abusar da temática sexual e, assim, fragilizar a família;
  6. f) fabricar “consensos” fictícios para gerar ambiente de “unanimismo”;
  7. g) destilar ambigüidades para induzir ou desnortear.

O mecanismo do extravio das consciências consiste na sugestão, por vezes muito bem camuflada. Com efeito, o ser humano é muito suscetível às sugestões, e, até mesmo às auto-sugestões (que se positivas são benéficas). Tudo isso resulta em método desleal de persuasão posto que a retidão de conduta mande que só nos valhamos, sempre, da verdade límpida.

Portanto, caro leitor, tenha o máximo cuidado com as artimanhas do Quarto Poder, especialmente das principais redes de comunicação escrita, televisionada ou falada para não cair em suas armadilhas falaciosas,embora hoje esteja ele, atualmente, em crescente descrédito e desprestígio.

* O autor é advogado.

[1]  https://ipco.org.br/censura-em-alta-menos-para-as-esquerdas-coronavirus-brasil/

 

1 Comentário

  1. Frank Seidl disse:

    Excelente artigo. Estou compartilhando.

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