A MANOBRA ATUAL DO COMUNISMO

Publicada em 03/09/2020 às 15:46

Ronaldo Ausone Lupinacci*

Com a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (conhecida pela sigla URSS) e sua substituição pela Comunidade de Estados Independentes no ano de 1991, em seguida à destruição do Muro de Berlim e à reaquisição da liberdade – ao menos relativa – pelos países do Leste Europeu (Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Checoslováquia, Romênia, Bulgária, Ucrânia, Letônia, Estônia e Lituânia) propagou-se a falsa ideia de que o comunismo havia morrido, conquanto aquele regime se mantivesse inalterado (no essencial) em vários outros Estados (China, Vietnã, Cuba, Coréia do Norte, etc). Ao mesmo tempo, sobreviveram no Ocidente todos ou quase todos os partidos comunistas, ainda que com disfarces, como no Brasil, onde o antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB ou “Partidão) adotou a denominação de Partido Popular Socialista (PPS). Vêm surgindo notícias que agora, também o PC do B (Partido Comunista Brasileiro), pretende mudar sua denominação para excluir a designação “comunista”[1].

Entretanto, o comunismo não desapareceu, apenas mudou de forma, através de expedientes fraudulentos como aqueles ocorridos na Rússia e na China, no plano da organização estatal, porque se manteve como seita filosófica imperialista com novas roupagens, principalmente a ecologista-ambientalista. Isso que aqui está dito é fundamental para que não se perpetue uma visão anacrônica, obsoleta, ultrapassada do comunismo, o que, dentre outros inconvenientes colabora para que não se adotem medidas de combate adequadas àquele movimento demolidor. Para melhor compreensão do assunto é indispensável tomar alguns dados históricos.

O comunismo, como se sabe foi implantado primeiramente na Rússia com a revolução de 1917, e, de lá se espalhou para outros povos. Mas antes, muito antes, surgiram fenômenos político-sociais afins ao comunismo, e, para não recuar muito, tome-se o caso dos anabatistas em Münster (Alemanha) no ano de 1534. Algum tempo depois, isto é em 1796, durante a Revolução Francesa eclodiu a “Conspiração dos Iguais” liderada por Gracchus Babeuf que propunha a comunidade de bens e de trabalho. Como decorrência da Revolução Francesa, surgiram no Século XIX correntes socialistas dentre as quais a mais famosa e dinâmica, pregadora do socialismo “científico” (com aspas mesmo) idealizada por Karl Marx e Friederich Engels. Em 1848 Marx e Engels lançaram o Manifesto Comunista, desencadeando a fermentação revolucionária que veio a explodir na Revolução Russa de 1917. Esta revolução venceu, sobretudo em razão da estratégia de Lenin, para implantar pela força a ditadura do proletariado. Na época, algumas revoluções de cunho comunista eclodiram em outras partes do mundo (Portugal, em 1910, México, em 1910-1915, Espanha em 1936-1939, por exemplo), e, depois o expansionismo comunista se alastrou no Leste Europeu, na China, em Cuba, no Vietnã, Laos,Camboja e  na África. Mais tarde, se estendeu para a Nicarágua e a Venezuela, sua mais recente conquista. No Brasil, a “Revolução” de 1930 (na verdade o golpe de estado comandado por Getúlio Vargas) tendia à implantação do comunismo, o que só não aconteceu em virtude da reação dos católicos paulistas.

Em verdade, nos mencionados países o comunismo não chegou a ser implantado em sua totalidade porque o seu objetivo final nem se resumia a modificações de caráter sócio-econômico, nem tampouco na transitória ditadura do proletariado e no capitalismo de estado nela vigente. Este aspecto da questão ficou mais claro com a Revolução Sexual (Estados Unidos, 1966 e a Revolução Estudantil, França 1968) cujos desdobramentos geraram o socialismo autogestionário, que se tentou impor à França e à Espanha, principalmente, visando mudança total no comportamento humano, com a abolição de todas as desigualdades e da família.

Se o método das revoluções violentas fracassou em quase todo o Ocidente o mesmo não se pode dizer das revoluções “pacíficas” destinadas à implantação gradual do socialismo através de urdiduras materializadas pela chamada guerra psicológica revolucionária, com as quais se vista arrastar lenta, e, por assim dizer imperceptivelmente, a sociedade para o comunismo através de leis e de modificações culturais. É o que se vê hoje aqui no Brasil e alhures com o abandono paulatino dos princípios e dos costumes cristãos, fato constatado diariamente no noticiário escandaloso.

O disfarce ecologista-ambientalista parece não ter funcionado a contento, isto é, para convencer a sociedade de abandonar o capitalismo liberal e adotar o tribalismo miserabilista. Assim é que nova manobra foi implementada, recentemente, a pretexto do coronavírus.

Valendo-se de sua penetração em setores estratégicos da sociedade ocidental o comunismo vem se aproveitando da virose chinesa para conquistar terreno, sobretudo através de medidas ditatoriais tomadas por autoridades e da difusão do pânico[2]. Cogita-se dentre outras iniciativas da obrigatoriedade de colocação de “chips” nas pessoas para controlá-las em todas as suas atividades. Tome-se, como exemplo, ainda, a obrigatoriedade do uso de máscaras cuja eficiência é contestada cientificamente[3]. Ou então a avalanche de projetos de lei destinados a aumentar drasticamente os tributos, sem falar nas restrições à liberdade de ir e vir e na liberdade de trabalho. Em outras palavras o despotismo tem em vista acostumar as pessoas à obediência cega à autoridade estatal, para atingir o objetivo final da igualdade completa, com a supressão da propriedade privada e da família, e, afastamento de todas as tradições religiosas e culturais, como se viu na Revolução Cultural desencadeada por Mao Tse Tung na China nos anos 70 do século passado.

Neste novo lance do movimento revolucionário não se pode olvidar as tentativas de constituição de um governo supranacional dentro de uma “nova ordem mundial”. Paralelamente, prosseguem as agitações destinadas a desestabilizar os Estados Unidos sob a bandeira de combate ao racismo, e, os artifícios para fortalecer a China comunista tanto no cenário político como no econômico.

No Brasil é bem visível a investida contra o setor conservador da opinião pública, e, contra o governo Bolsonaro apoiado pelos conservadores, tal como nos Estados Unidos contra o governo de Donald Trump. Tal investida no plano cultural tem em vista mudar a mentalidade e as convicções das pessoas, e, no plano político, a substituição dos governos conservadores por outros de tendência socialista.

Tanto os Estados Unidos, como o Brasil representam grande obstáculo à expansão do comunismo explicando-se assim a movimentação para desestabilizá-los, com a ajuda, como sempre dos famosos idiotas úteis.

Este breve resumo serve para nos acautelar em relação aos embustes em andamento cujo desfecho ainda não é possível ver com clareza, mas se afiguram nefastos, e, talvez duradouros,  até que se reinicie a reconstrução da civilização cristã.

* O autor é advogado.

[1] https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2019-12-28/pcdob-vai-usar-nome-fantasia-em-2020-para-evitar-termo-comunista.html
[2] https://ipco.org.br/coronavirus-a-maior-operacao-de-engenharia-social-baldeacao-ideologica/
[3] https://www.renewamerica.com/columns/fischer/200806

2 Comentários

  1. ISMAEL DA CRUZ EDUARDO disse:

    A maior parte desse texto seria eliminada pelo pelo próprio autor, se ele buscasse uma leitura séria dos assuntos abordados e fosse um pouco menos tendencioso. Lamento a publicação do texto.

  2. Cristiano Fádel disse:

    O autor demonstra profundo desconhecimentos da geopolítica mundial ao atribuir efeitos do capitalismo, ao comunismo. A China, hoje, é uma das potências capitalistas, que concorre “em pé de igualdade” com os EUA, no jogo econômico/financeiro global. Se o autor buscasse estudar o comunismo, de forma honesta e comprometida, veria que a grande ameaça a todos nós é a briga entre a China e os EUA, que pode desencadear conflitos localizados, já que os EUA estão em franca decadência econômica e reativaram a política da guerra híbrida para fazer frente aos chineses. A China ultrapassará os EUA como maior potência econômica nos próximos anos, enquanto os EUA lançaram sua máquina de guerra para manter o poder no cenário internacional. Terreno perfeito para conflitos armados. Falar de comunismo nesse cenário é demonstrar profundo desconhecimento de conceitos básicos sobre o assunto.

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