Território Quilombola em Carinhanha tem relatório publicado, o que beneficia 404 famílias remanescentes de quilombo

Publicada em 21/05/2015 às 14:37

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Ascom Incra

As margens silenciosas do Rio São Francisco escondem histórias de lutas e dramas dos ancestrais das 404 famílias que vivem no Território Quilombola Barra do Pareteca, que nesta quinta-feira (21), têm muito a comemorar. É que Incra/BA publicou o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), no Diário Oficial da União (DOU).

Barra do Parateca é um distrito do município de Carinhanha (a 830 quilômetros de Salvador) e se trata de uma área emblemática, delimitada em 8,1 mil hectares, no Território de Identidade do Velho Chico. A publicação representa um importante passo para os remanescentes de quilombo.

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Moradores antigos relatam que a povoação da Fazenda Parateca começou com os escravos que trabalhavam para o Major Olegário, proprietário do imóvel rural. A comunidade nasceu de uma trama familiar sombria. O filho de Olegário teve uma filha com uma escrava e a criança foi adotada pelo próprio Major.

Chamada de Filomena, a menina, aos 12 anos, foi obrigada a se casar com o vaqueiro, José Ribeiro.  Quando o Major Olegário estava à beira da morte, doou parte da Fazenda Parateca para que o casal sobrevivesse.

Segundo o analista em reforma e desenvolvimento agrário, Luís Claudio Bonfim, do Serviço de Regularização do Território Quilombola do Incra/BA, as famílias foram muito firmes ao resistir em favor de seus direitos, ao longo das décadas, após o falecimento de Filomena, em 1961.

A história da região se iniciou no período colonial, quando, nas margens do São Francisco, embarcações atracavam, em alguns pontos e os faziam de entreposto de mercadorias.

Importância do relatório

O Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) reúne estudos antropológicos, históricos, mapas descritivos que reconhecem a ocupação ancestral dessas famílias no território.

O Barra do Parateca é composto por 45 imóveis rurais, e 25 proprietários e posseiros que serão notificados. De acordo com Bonfim, após a notificação, há um prazo de 90 dias, para que o relatório técnico possa ser contestado.

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