Covid-19: No olho do furacão

Publicada em 06/01/2021 às 14:37

Texto e fotos Eduardo Lena

Desde que cheguei em Londres, no último dia 17 de dezembro de 2020, tenho me sentido no ‘Olho do Furacão’ ao acompanhar o crescente número de pessoas infectadas pela nova cepa do Covid-19, que tem se mostrado muito mais agressiva que o coronavírus surgido em Wuham, na China, ainda em 2019. A cada dia que passa os números divulgados pelo Governo Britânico mostram um quadro cada vez mais dramático. Somente hoje, 06 de janeiro, novas 1.041 mortes ocorreram e o Reino Unido registrou 62.322 novos casos de coronavírus, com um total de 30.451 pessoas hospitalizadas, o que tem comprometido o atendimento em outras áreas da saúde.

Além da Inglaterra, Escócia e País de Gales registram aumento nas taxas de internação e os números colocam as autoridades em atenção máxima devido a pressão no sistema de saúde.

Para tentar conter a onda avassaladora de infecções, Boris Johnson, Primeiro Ministro do Reino Unido resolveu apertar o cerco e decretou lockdown em várias parte da Grã-Bretanha, em especial na Inglaterra, onde mais de 1 milhão de pessoas estão infectadas com coronavírus, ou uma em cada 50.

Segundo o jornal The Guardian, os números divulgados pelo Office for National Statistics revelaram que 2% da população do Reino Unido foi estimada como portadora do vírus entre 27 de dezembro e 2 de janeiro. Cerca de 1,1 milhão de pessoas em residências privadas foram infectadas com Covid-19 na Inglaterra, ou uma em 50 pessoas, aumentando para uma em 30 em Londres. O número gira em 45 para o sudeste, leste e noroeste da Inglaterra.

Para fazer um rápido comparativo, o Brasil possui uma população mais de três vezes superior a do Reino Unido (66,65 milhões), é como se o Brasil tivesse mais de 190 mil novos casos por dia, com mais de 3.200 óbitos diários. Quanto a cidade de Barreiras, onde pretendo voltar o mais rápido possível, se levarmos em consideração a Londres, onde uma em cada 30 pessoas já teve ou está com o coronavírus, é como se mais de 50 mil barreirenses já tenham enfrentado ou estivessem lutando contra esse vírus. É muita coisa.

Preocupado em possíveis novos bloqueios impostos no Reino Unido, tenho tentado antecipar minha volta para o Brasil, que está marcada para o dia 12. Diferente do que ocorre no Brasil, aqui, para realizar o teste de PCR para saber se já teve ou está infectado, o interessado precisa entrar num site governamental e pagar 120,00 Pounds (Libras), o equivalente a R$ 850,00, agendar uma data em um Boots Test (Farmácia) mais próxima ao local em que você está hospedado. Não adianta ir direto na farmácia, eles nem te atendem.

Hoje pela manhã, sai pelas ruas do bairro Whitechapel, onde estou hospedado, em procura de farmácia para me informar qual o procedimento e percebi o quanto a cidade está deserta. As pessoas que ainda circulam são aquelas que seus trabalhos não foram afetados pelos bloqueios. Tanto os ônibus, como os metrôs, estão vazios, com um número reduzidos de usuários. As escola voltaram a fechar e o governo tem distribuído tablets para os alunos estudarem virtualmente. Os moradores de Londres estão sendo incentivados a ficar em casa e só saírem para ir ao mercado, em busca de serviços essenciais ou praticar exercício físico, desde que não mais que duas pessoas da mesma família juntas.

As ruas, antes repletas de pedestres, estão desertas e com baixo fluxo de pessoas

Nessa minha saída para encontrar farmácias na região, passei nas proximidades do The Royal London Hospital, um dos maiores hospitais universitários de Londres e a fila de ambulância na entrada da emergência era enorme, muitas delas aguardando vagas para os pacientes com Covid-19. Apesar de ser principal centro de atendimento de emergência e trauma, um dos maiores serviços renais da Europa e a segunda maior unidade de pediatria de Londres, a procura por atendimento ao Covid-19 tem feito com que os atendimentos desses outros serviços sejam remarcados para outras datas, priorizando o atendimento as vítimas da pandemia que assola o planeta.

Ambulâncias aguardam na fila a espera de vagas para os pacientes com Covid-19

 

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