Solidariedade que brota do chão

Publicada em 28/05/2021 às 14:44

Campanha Plantar para Alimentar foi prorrogada até o dia 5 de junho

Ascom Abapa

Produzir o próprio alimento, para si e para a comunidade, marca o início de uma revolução na história da humanidade, que conduziu os homens das cavernas, nômades, a fixar raízes, conquistar a terra e até o espaço sideral. Nos últimos 12 mil anos, muita coisa mudou na produção de alimentos. Basta visitar uma lavoura no Oeste da Bahia para comprovar que o futuro chega sempre antes nos campos do cerrado. Mas o conceito estratégico de tirar do solo os frutos de um trabalho intenso, permanece o mesmo até hoje: plantar para alimentar.

Na sociedade, há os que ensinam, os que cuidam dos doentes, os que fabricam roupas ou constroem prédios e há também aqueles que são os responsáveis por produzir alimentos para todos, afinal, nem todo mundo sabe ou pode cultivar a própria comida. Para isso, há os agricultores, uma classe de trabalhadores que está na base de todas as outras. Nutrir e vestir é a natureza do seu ofício. E, neste momento, em que, para muitas famílias brasileiras, a segurança alimentar está em risco, por causa da pandemia da Covid-19, mais do que nunca, os agricultores se tornaram essenciais.

Foi a consciência do seu papel no lugar em que vivem e produzem que fez com que todos os agricultores do Oeste, individualmente, e representados por suas entidades da sociedade civil organizada, arregaçassem as mangas para ajudar àqueles que mais precisam de alimentos na região, através da campanha solidária Plantar para Alimentar, uma iniciativa que engloba 14 instituições, dentre elas, a Aiba, a Abapa, Fundesis e Mulheres do Agro.

Até esta sexta-feira, 28, mais de 3.500 cestas já haviam sido doadas e quase 6.000, arrecadadas. As primeiras famílias a receber os gêneros alimentícios foram de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, sendo que outros municípios, como Riachão das Neves, Mansidão, Santa Rita de Cássia e Correntina já estavam na rota de entrega.

Cesta mais que básica

Cada cesta tem em torno de 24 quilos, compostos exclusivamente por alimentos. Embora não necessariamente tenham sido produzidos ou processados na região, estes produtos derivam do mesmo tipo de culturas agrícolas do Oeste. De acordo com o 2º Levantamento da Safra 2020/21, elaborado pela Aiba, neste ciclo, foram 8.906.500 de toneladas de alimentos como soja, milho, feijão, café e outros que, se não são diretamente utilizados na nutrição humana, são a base da fabricação das rações que alimentam rebanhos bovinos, suínos, além de aves. Se contar com a produção de algodão, estimada em 1.280.030 de toneladas de capulho, o Oeste vai contabilizar 10.186.350 toneladas em sua produção agrícola neste ano-safra. Vale lembrar que o algodão também é matriz para a fabricação de óleos comestíveis, dentre outros produtos, utilizados na indústria alimentícia.

“Nada mais justo que, no ano em que colhemos safras expressivas, em que o clima ajudou e o mercado, também, que nos mobilizemos para ajudar a garantir mais segurança alimentar para os que perderam empregos ou renda em nossa região. Quando pensamos no Oeste, na fartura que sai das nossas lavouras, fica até difícil imaginar que alguém seja privado de algo tão básico como comida”, afirma a vice-presidente da Abapa, Alessandra Zanotto, alertando que, apenas no entorno de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, estima-se que cerca de seis mil famílias estejam em vulnerabilidade alimentar.

O presidente da Aiba, Odacil Ranzi, partilha da mesma opinião. “Compartilhar os frutos da nossa produção com aqueles que mais precisam é uma forma de nós, produtores rurais, agradecermos por um ano tão produtivo no campo. Com isso, mostramos à sociedade a importância da nossa atividade para o bem-estar da região, gerando emprego e renda em um momento tão complexo, e com papel decisivo para a segurança alimentar”, argumenta.

Portas fechadas, esperança aberta

Há mais de um ano, é só silencio no parque infantil, na biblioteca, na quadra esportiva coberta, e, principalmente, no refeitório da Associação de Pais e Amigos dos Especiais de Barreiras, a Apae. Uma das mais tradicionais instituições a atuar em prol do social na região teve as portas fechadas pela covid-19. Os especiais, dentre eles, portadores da síndrome de down, são mais vulneráveis ao vírus. Ficar em casa deixa os alunos mais protegidos contra a doença, mas, além de todas as atividades lúdico-educativas essenciais para o desenvolvimento dos atendidos, tira deles um momento muito importante, o da merenda: para muitos, uma das poucas refeições do dia.

A Apae assiste a 68 alunos diretamente e, indiretamente, a aproximadamente 220 pessoas das famílias destes alunos. Através do Fundesis, a entidade foi contemplada pela campanha Plantar para Alimentar, com 46 cestas básicas. “A ajuda faz muita diferença para estas famílias cadastradas, 90% delas, extremamente carentes”, relata Carlos Abdon Quirino, diretor administrativo da instituição.

“Pleiteamos ao Fundesis 86 cestas pela campanha, mas tivemos notícias de que uma grande empresa de máquinas agrícolas nos doaria 40 cestas, e, sabendo da grande demanda da campanha Plantar para Alimentar, pedimos apenas a diferença para completar o total que precisávamos. É muito bom ver a gratidão das famílias que receberam a ajuda”, diz Quirino, que recebe diariamente diversas postagens de agradecimento nas redes sociais da Apae.

Ritmo solidário

Dizem que a arte é o alimento para a alma, mas com os artistas, a pandemia foi especialmente cruel: tirou da mesa de muitos deles o pão de cada dia. Com casas de espetáculos, bares e restaurantes fechados, a renda sumiu ou ficou escassa, e, para alguns, não restou outra saída senão vender as ferramentas de trabalho, os instrumentos musicais. Foi pensando na gravidade da situação destes profissionais que o Instituto São Francisco de Arte Cultura (ISFAC) e a Associação Brasileira de Cultura e Desporto (ABCD) criaram o S.O.S Músicos, que promovem eventos virtuais, as famosas lives, para angariar ajuda.

Segundo Mário Sérgio de Araújo, um dos organizadores da iniciativa, a campanha Plantar para Alimentar está sendo essencial para diminuir o sofrimento dessas pessoas. “Temos 120 músicos cadastrados e recebemos 80 cestas pela campanha, o que ajuda bastante, pois temos outras instituições que estão colaborando também. Gostaria muito de agradecer aos produtores rurais por esta iniciativa”, afirmou.

Caridade cristã

Para o bispo diocesano de Barreiras, Dom Moacir Arantes, a campanha Plantar para Alimentar está ajudando muita gente que está sem trabalho na pandemia e não tem como levar nem mesmo o básico para casa. “A Cáritas em parceria com o Dignivida tem um cuidado especial com os projetos Catavento, e, nessa pandemia que estamos vivendo, os recursos ficaram cada vez mais escassos. Então, a doação dessas cestas vai atenuar um pouco o sofrimento das pessoas assistidas, que têm crianças inscritas nesses projetos sociais. Temos uma imensa gratidão por receber essas doações,” refletiu Dom Moacir. A Cáritas e os seis projetos Catavento receberam um total de 479 cestas.

Combustível para engrenar

Apesar da arrecadação ser expressiva, ela ainda está bem abaixo da meta inicial. O prazo para as doações que chegaria ao fim, em 31 de maio, foi prorrogado para 05 de junho. “É possível fazer mais, e tenho certeza de que os agricultores vão intensificar as doações no final do período, mas não dá para esperar muito. Quem tem fome tem pressa. É preciso doar hoje. Doar já”, diz Odacil Ranzi.

“Nossa sugestão é que sejam doados de 0,05 a 0,15 do equivalente a uma saca por hectare por doador. É uma forma bem justa, porque cada um doa na proporção do que pode. Mais que apenas dinheiro, o que queremos dos nossos amigos é consciência. A fome é um problema que bate à nossa porta, e não podemos fechar os olhos e, principalmente, o coração, para esta triste realidade”, enfatiza Alessandra Zanotto.

A logística e o cadastramento dos beneficiários da campanha Plantar para a Alimentar é feita através do Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia (Fundesis). Promovem a campanha: Abapa, Aiba, Abacafé, Aciagri, Acrioste, Aprosem, Aprosoja, Cooperfarms, Cooproeste, Fundação Bahia, Mulheres do Agro, SPRB e SPRLEM.

Ainda dá tempo!

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