Muquém do São Francisco: ‘Estou desistindo’, diz lavrador de cidade que está sem água há 150 dias

Publicada em 16/09/2014 às 15:13

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Fonte G1.com/BA | Foto reprodução TV Oeste

A cidade de Muquém de São Francisco, na região oeste da Bahia, está há mais de 150 dias sem água. Com a situação, lavradores têm procurado alternativas para driblar a estiagem, que atinge cerca de 35% dos municípios baianos.

De acordo com a Defesa Civil, 144 cidades decrataram situação de emergência e 1,5 milhão de moradores sofrem com os reflexos da seca.

Sem a chuva, o lavrador Paulo do Carmo tem perdido as esperanças e se desespera. Além de não ter pasto para o gado, ele alimenta o rebanho com capim seco e nem todos os animais se dão bem com a ração improvisada. “A ração intoxica e morre”, conta. Mesmo com a alimentação, o gado continua perdendo peso. “Já perdi mais de 30 animais. Eu já estou quase desistindo de criar”, relata o lavrador.

Alternativas – Para sustentar a família, o trabalhador rural Juscelino de Almeida teve que abandonar a roça e procurar emprego na cidade. Esse ano, ele já plantou milho e capim, mas as lavouras não deram resultado. “O dinheiro que eu ganho lá fora é pouco, eu aplico na roça. Só que a roça não dá nada. Aí eu tenho que voltar de novo para o mesmo serviço e torno a aplicar na roça. E a roça está sempre complicado, não está dando resultado”, afirma.

Segundo ele, medidas preventivas deveriam ser adotadas para evitar os problemas da seca. “Se nós tivessemos feito a cisterna na época da chuva, hoje nós tinha (sic) água. Mas como não fizeram a cisterna na época da chuva, hoje nós estamos sofrendo por causa da água que nós não temos”, conclui.

Para uma outra moradora da mesma  localidade, que vive na região há mais de 20 anos, nem a palma plantada suportou tanto tempo sem chuva. Ela conta que a situação só não é pior por causa da água distribuída por um caminhão pipa no município. Porém, a água é apenas para consumo humano.

Em Muquém de São Francisco, a água potável, está sendo distribuída em 38 localidades. “Esse sistema é determinado pelo Exército, da operação pipa, eles entregam uns tíquetes na comunidade e a comunidade sai distribuindo nas cisternas para as pessoas que precisam de água”, afirma Ronaldo Mariano, secretário de agricultura da cidade.

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