MEIs já representam quase 85% das novas empresas do país

Publicada em 08/10/2019 às 14:33

PR Newswire

Das 2,621 milhões de empresas abertas entre julho de 2018 e junho deste ano, 2,255 milhões são CNPJ enquadrados como MEI (Microempreendedores Individuais), profissionais autônomos que faturam até R$ 6.750,00 mensais. O mais recente retrato do titular de um MEI é de um homem (54,95%), jovem de até 35 anos (52%), com renda de até 4 salários mínimos (65,83%), que participa de uma família formada por até três pessoas (75,32%). Os dados são da BigData Corp, que apurou informações sobre empresas abertas entre julho de 2018 e junho (inclusive) de 2019.

“Os MEIs respondem, basicamente, por três perfis majoritários: pequenos negócios que estão se formalizando, novos serviços que estão surgindo e jovens que abrem suas próprias empresas como uma saída para fazer frente ao desemprego”, explica Thoran Rodrigues, CEO e fundador da BigData Corp, responsável pelo levantamento.

Rodrigues chama a atenção para a renda familiar do empresário MEI que, em 7 de cada 10 casos, não supera os 4 salários mínimos. Nas demais empresas, em 7 de cada 10, a renda familiar dos sócios é superior a 10 salários mínimos”, comenta.

Arrimos de família

Quando se observa a renda individual dos novos titulares de MEIs, 65,83% auferem até 4 salários mínimos. Já, quando se avalia o conjunto dos demais CNPJs abertos recentemente, 99,02% têm renda acima de 4 salários mínimos; e 69,78% acima de 10 salários mínimos. “Estamos falando de pessoas provenientes de famílias de renda modesta, cuja contribuição financeira tem um papel decisivo no orçamento familiar”, afirma o especialista.

Outras descobertas do levantamento indicam que o MEI tem pouca experiência em outras atividades, mas, em compensação, é muito mais “digital”. “Vimos que em 40,51% desses microempreendedores individuais jamais trabalharam antes – seja em seu negócio próprio, ou em outros -, enquanto 38,31% deles tiveram uma única experiência profissional antes de obter o seu CNPJ. Em contraste, apenas 15,78% dos titulares de empresas tradicionais recém-abertas não trabalharam formalmente antes de abrir o seu negócio e 29,07% tiveram uma única experiência profissional antes de abrirem o seu negócio”, relata o CEO da BigData Corp.

Pegada digital

O engajamento digital dos empresários foi medido levando em conta a intensidade de uso da internet, plataformas digitais, mídias sociais e aplicativos diversos, incluindo os de entretenimento. Numa escala de A a H, 87,65% dos MEIs concentram-se nos estágios de maior engajamento, ou seja, nas categorias A e B. Já, os demais empresários somam 11 pontos percentuais a menos nessas categorias.

“Esses dados nos levam a perguntar: será que essas pessoas são mais empreendedoras porque são digitais, ou por serem mais empreendedoras foram obrigadas a serem mais digitais para competir melhor?”, pergunta-se o fundador da BigData Corp. “Tanto faz. O importante é o mercado saber que esse empreendedor tem essa característica e que busca resolver boa parte de seus desafios empresariais e de sua vida pessoal com o auxílio da internet”, complementa.

Formação tradicional

Curiosamente, no entanto, entre os titulares formados, as primeiras profissões dos MEIs pouco têm a ver com serviços digitais. “Ainda que seus titulares tenham um alto engajamento digital, lideram negócios tradicionais mesmo,”, afirma Rodrigues. Administradores de empresas representam 12,80% dos MEIs formados e advogados respondem por 6,13%. Ciências Contábeis é o curso que figura em terceiro lugar, com 4,97%. No caso das demais empresas, os mesmos cursos também lideram, nas mesmas posições, com uma participação, respectivamente, de 12,14%, 10,56% e 6,88%. Já, as atividades que normalmente seriam associados às startups, como Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Sistemas de Informação ou Ciência da Computação aparecem, entre as MEIs, listados na décima segunda posição, e nas empresas tradicionais, a partir da 16ª posição.

Sala de aula no lap top

O que varia bastante entre os dois tipos de empreendedorismo – MEIs e empresas tradicionais – é o tipo de educação de seus titulares. Enquanto 17,88% dos MEIs que estudam o fazem em cursos a distância, essa proporção cai praticamente à metade (9,3%) no grupo dos sócios das demais empresas.

“Mas o índice mais curioso dos MEIs, com toda a certeza, diz respeito à incidência de óbitos de seus titulares. Ele é perto de quatro vezes menor do que a dos negócios tradicionais”, aponta Rodrigues, gracejando. “Notamos que, no período monitorado pelo estudo, de julho de 2018 a junho de 2019, ele era de 0,05% entre as MEIs e de 0,2% entre os demais empresários. Certamente, devido ao fato de, na média, serem mais jovens”, conclui o responsável pelo levantamento.

Confira abaixo os estados e as cidades campeões em empreendedorismo nas duas categorias:

Estados campeões

MEIs Outras empresas
SP 33,1295% – SP 36,18%
RJ 11,5553% – RJ 10,49%
MG 10,6361% – MG 9,11%
PR 6,6430% – PR 7,94%
RS 6,0553% – RS 6,35%
BA 4,6233% – SC 5,11%
SC 4,3222% – BA 3,89%
GO 3,4185% – GO 3,50%
PE 2,7726% – DF 2,27%
CE 2,2139% – PE 2,18%

Cidades líderes

MEIs Outras empresas
SAO PAULO-SP 11,560% – SAO PAULO-SP 16,912%
RIO DE JANEIRO-RJ 5,698% – RIO DE JANEIRO-RJ 6,354%
BELO HORIZONTE-MG 2,568% – BELO HORIZONTE-MG 2,948%
CURITIBA-PR 2,979% – CURITIBA-PR 1,887%
SALVADOR-BA 1,934% – SALVADOR-BA 1,829%
BRASILIA-DF 2,264% – BRASILIA-DF 1,531%
GOIANIA-GO 1,840% – GOIANIA-GO 1,291%
PORTO ALEGRE-RS 1,248% – PORTO ALEGRE-RS 1,774%
FORTALEZA-CE 1,199% – FORTALEZA-CE 1,282%
CAMPINAS-SP 1,027% – CAMPINAS-SP 1,230%

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