“Angical sofre com a pandemia e com o caos deixado pelo ex-gestor”, diz atual gestor

Publicada em 18/04/2021 às 11:03

O município de Angical, localizado no Oeste da Bahia, distante 900 Km de Salvador, vem sofrendo duplamente em função da pandemia que assola o Planeta, e também com o caos financeiro deixado nas contas públicas pelo ex-prefeito Gílson Bezerra de Souza, foi o que afirmou o atual gestor, Emerson Mariani Dias (o popular Mezo), durante entrevista coletiva concedida a imprensa regional no último dia 16.

De acordo com Mezo, ele só resolveu falar agora, após mais de 100 dias de governo, depois do resultado de uma auditoria interna. “Sabíamos do desgoverno deixado pelo gestor anterior, mas eu não poderia ser leviano e fazer denúncias sem provas. Agora, com as provas levantadas pela auditoria, posso afirmar que Angical foi roubada. Além de deixar a folha de dezembro de 2020 do funcionalismo sem pagar, o ex-gestor deixou nas contas da municipalidade, no dia 31-12-2020, o valor de R$ 538,38 para quitar uma folha de pagamento superior a R$ 1.400.000,00”, denunciou Mezo.

Segundo o prefeito, vários absurdos foram detectado pela auditoria, entre eles o gasto de R$ 7.339.748,33 em combustível, sendo que em função da pandemia, não ocorreram aulas presenciais no município e os 37 ônibus escolares não circularam. “Esse valor gasto daria para realizar 22 viagens de ida e volta à lua. O que também chamou atenção foi o pagamento de R$ 358.900,00 de combustível em um posto no município de Capim Grosso, no Centro/Norte do Estado, distante das rotas de acessos utilizadas pelo município para chegar até Salvador ou Brasília. O valor pago ao Posto São Braz, no Distrito de Missão de Aricobé, no total de R$ 5.260.546,16, também levantam suspeitas, pois todos esses pagamentos realizados sem processo de licitação, numa afronta as entidades fiscalizadoras do erário público”, disse o atual gestor, relatando que com alimentação em um único restaurante de Barreiras (Bode e Cia), a Prefeitura gastou 525.247,00. “Foi consumido uma fazenda de Bode”, desabafou.

Emerson Mariani Dias informou ainda que em outro restaurante em Angical foram pagos R$ 429.080,00 em refeições, sendo que um único CPF recebeu outros R$ 94.735,74 em fornecimento de refeições.

Em relação a assessoria jurídica e contábil, Mezo falou que a Prefeitura gastou durante os quatro anos de mandato do ex-prefeito, o total de R$ 98.000,00/mensais, sendo que somente um advogado recebeu de uma única vez o valor de R$ 550.000,00.

Na visão do atual gestor, os desmandos não pararam por aí. “Uma pequena oficina mecânica chamada R7 Auto Center, situada no município de Barreiras, o município gastou, também sem licitação, a quantia de R$ 648.887,00”.

Abaixo o Prefeito Emerson Mariani Dias discreveu sobre outras irregulariedades encontradas na auditoria.

Impressos: De impressos em material de expediente foram gastos R$ 969.789,53;
Material de Construção: Com material de construção, numa única fornecedora situada também no Distrito de Missão do Aricobé, foram gastos R$ 1.335.561,38;
Transporte Escolar: Foram gastos mais de R$ 3.873.713,91, sendo que desde 2019 o município possui uma das maiores frotas particular de ônibus e vans do Oeste da Bahia;
Aluguel de veículos: O município gastou nos quatro anos da gestão passada mais de R$ 3.494.830,57, destacando-se que foi para um único locador. Tal valor daria para adquirir 20 caminhonetes gabine duplas de luxo;
Assessoria Contábil: Foram gastos durante os quatros anos passados R$ 98 mil reais mensais, sem contar que um único advogado recebeu 550 mil reais de uma só vez;
Fundef: O município recebeu R$ 13.841.355,51. Esse dinheiro deveria ser destinado para melhorias da edução, inclusive, o ex-gestor firmou um Termo de Compromisso com a Justiça Federal. Tal valor daria para modificar qualitativamente a estrutura dos prédios escolares e todas as condições gerias que envolvem o ensino público municipal. Mas os desvios podem se comprovar na Escola Municipal Suplício Oliveirea, quando foram gastos mais de 200 mil reais para construir apenas uma sala de aula, reformar outras e construir três banheiros, sendo o que possui uma placa para portadores de necessidades especiais, não está adaptado para receber essas pessoas.
A Prefeitura foi multada em R$ 10.856.214,59 por declaração falsa ao INSS e deixou dívidas de consignados com o Banco do Brasil no valor de R$ 56.147,32 e com o Bradesco R$ 175.688,78; Com a Coelba a dívida deixada foi de R$ 402.491,27, com a Embasa R$ 418.080,74 e com Internet R$ 211.642,20, sem provisionamento de onde esses recursos serão retirados.

Finalizando, o Prefeito Mezo afirmou que foi instaurado um processo administrativo com base na Lei Anticorrupção e o município vai recorrer a Justiça Federal para recuperar o dinheiro desviado e que os corruptos sejam punidos ao rigor da lei.

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