Você sente inveja das pessoas?

Publicada em 21/02/2019 às 14:53

Padre Ezequiel Dal Pozzo
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A inveja faz mal ao caminho espiritual e à pessoa humana. A paz de espírito não combina com a inveja. Muitas pessoas vivem atormentadas por causa da inveja que carregam consigo. Normalmente, a inveja é fruto da continua comparação de si com os outros. Outras vezes ela é fruto de um sentimento de superioridade não admitido. Se me comparo sempre aos outros, o faço porque quero ser superior aos outros. Quem percebe seu valor e vive tranquilo com isso, não fica se comparando aos outros.

Muitas vezes a pessoa nem percebe que tem inveja ou não quer admitir em si esse sentimento. A inveja demonstra que a pessoa é fraca. Por isso, ninguém quer admiti-la em si mesmo. Ao invés de admitir a inveja, analisa a outra pessoa, o seu trabalho, o seu sucesso, depreciando-o, como se estivesse apenas fazendo uma análise crítica, querendo dizer que essa pessoa não está no caminho certo. Certo é, que sempre mais, o verdadeiro líder, valoriza o sucesso do outro e ponderadamente faz ressalvas, quando necessário, sem julgar e sem colocar-se como dono da verdade.
Pessoas invejosas estão sempre se comparando com outras. Quando o invejoso encontra uma pessoa, imediatamente começa a avaliar, valorizar, desvalorizar ou revalorizar. De um modo geral procuro desvalorizar o outro no intuito de valorizar a mim mesmo. Observo suas fragilidades e concentro minha análise nelas. Julgo seu comportamento como doentio e bloqueado; seu êxito como aparência e sua inteligência como fraqueza. Avalio constantemente o outro, procurando encontrar seus defeitos para que eu possa me sobressair.

De forma inversa, a inveja também se manifesta. Quando não sou bem sucedido, desvalorizo a mim mesmo colocando o outro no pódio. Ele é bom e eu não sou capaz de nada, não tenho valores. Esse comportamento manifesta a inveja que mostra que eu não estou satisfeito comigo mesmo. Não percebo os meus valores e minha dignidade. Estou sempre me comparando com os outros para me valorizar ou me desvalorizando.

Esse modo de ser tira a minha paz. A inveja é sempre um mal, pois me coloca cansativamente na tentativa de superar os outros. Se vejo que não consigo, então fico deprimido, pois não me vejo com chance de acompanhar os outros.
Perceber o valor do outro e reconhecê-lo, perceber o meu próprio valor, é fundamental para a paz de espírito. Todos têm valores e coisas a ensinar uns aos outros. Não preciso viver comparando-me aos outros. A comparação mostra que eu não sou feliz com o que sou e com o que tenho. Devo me alegrar com minhas qualidades e conquistas e alegrar-me com as conquistas e qualidades do outro. A inveja envenena. A valorização do outro, o reconhecimento do que há de bom nele e o que há de bom em mim, faz a vida fluir e deixa o coração mais satisfeito.

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