Suor em excesso é doença

Publicada em 05/03/2015 às 08:08

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Ascom Hospital Araucaria de Londrina

Quem passa por situações constrangedoras por conta do suor excessivo sabe bem do incômodo que é. Seja nas axilas, face, planta dos pés ou nas mãos, a hiperidrose traz dificuldades no convívio social e podem até prejudicar crianças em idade escolar. Ao suar demais nas mãos, elas acabam por borrar cadernos e livros. Um transtorno.

De acordo com o cirurgião torácico André Urquiza Veloso, a condição é hoje vista como uma doença. “Por muitos anos a hiperidrose foi considerada uma condição médica benigna e sem consequências importantes. Porém, hoje sabemos que a hiperidrose é uma doença extremamente debilitante e que prejudica de forma muito importante as interações sociais e atividades ocupacionais”, aponta.

A cirurgia chamada simpatectomia é a solução para o suor nas mãos. “Nesses casos, o procedimento apresenta resultados superiores a 95% de satisfação. Quando há associações, como a hiperidrose palmo-plantar e axilo-palmar e nos casos de hiperidrose crânio-facial, a cirurgia também é indicada. A hiperidrose axilar isolada também tem resultados bons, porém inferiores aos casos palmares”, descreve. Feito por vídeo, o procedimento dura cerca de 40 minutos. “Através de duas pequenas incisões nas axilas são introduzidas a ótica (câmera de vídeo) e o eletrocautério. Após identificação da cadeia simpática, é feita a transecção do nervo com o eletrocautério”, explica o especialista.

A cirurgia pode ter efeitos colaterais, por isso o paciente precisa ser bem orientado. “Esses efeitos colaterais geralmente são inevitáveis e são o preço que o paciente paga após a cirurgia da hiperidrose. O mais comum é a sudorese compensatória. Após a cirurgia, pode haver a transferência da sudorese em excesso para lugares que suavam normalmente. Geralmente este suor se localiza na barriga, costas e coxas. Este efeito colateral ocorre na maioria dos pacientes, porém costuma ser uma sudorese leve e temporária”, diz.

Para quem não quer se submeter ao procedimento, existe a possibilidade de tratamento clínico. “Ele é feito através do uso de remédios orais (com muitos efeitos colaterais e pouca tolerância pelos pacientes), uso de desodorantes à base de alumínio, iontoforese (aparelho que neutraliza temporariamente as glândulas sudoríparas através de pequenos choques) e a toxina botulínica. Em todos os casos os resultados são temporários e possuem custo alto no longo prazo”, pontua.

Dentre as novidades ele cita o miraDry, tecnologia que vem sendo usada desde 2011. “Esse aparelho emite ondas eletromagnéticas que destroem as glândulas sudoríparas por termólise (ondas de calor). Para realização do procedimento é necessário a injeção de anestésicos locais. Ele apresenta resultados muito bons (90% de satisfação) e parecem ser duradouros após 2 aplicações. Atualmente é restrito aos casos de hiperidrose axilar”, pontua.

Como são várias as opções, Dr. Andre Veloso orienta que os pacientes busquem sempre ouvir um especialista para saber o melhor caminho a seguir. Os tratamentos clínicos disponíveis não curam a hiperidrose. A simpatectomia é definitiva, mas tem seus efeitos colaterais. “A decisão da melhor conduta será feita em conjunto pelo médico e paciente, ponderando o quanto o problema prejudica a rotina”, finaliza.

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