O silêncio faz bem

Publicada em 26/01/2017 às 16:41

Padre Ezequiel Dal Pozzo
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Vivemos em meio ao barulho. Os sons poluem nossos ambientes. Dificilmente em meio às grandes cidades temos tempo e condições para o silêncio. A corrida do trabalho afeta a nossa vida. Também nossa interioridade é afetada pela ausência de silêncio. Ele tem a capacidade de nos colocar em contato com nossa alma. Na alma encontro a verdade que sou e que posso me tornar. Muitas pessoas ficam longe de si mesmas devido à falta de silêncio interior. Sua mente não está límpida. Está poluída por tudo. Silenciar é trazer a mente ao nosso controle. Os pensamentos se unificam em torno de nosso interior. Ali sinto que estou em casa. Os pensamentos vão se unindo em torno de uma única ideia. Até mesmo se unem em torno de ideia alguma. Isso esvazia o pensamento. A poluição já não me habita. As muitas ideias que me levam longe de mim, longe de casa, longe do contato com a minha alma perdem sua força. Já não existem. Agora estou em torno de uma única ideia.

Atualmente as pessoas são jogadas para lá e para cá pela força dos pensamentos. Estão em contato com diferentes realidades, cada qual exigindo sua dose de energia. Gastam sua energia e muitas vezes ficam esgotadas. Eu preciso perceber quando estou enredado nesse turbilhão de coisas. Devo me perguntar, onde me leva tudo isso. Se minha vida precisa passar por todas essas atividades, posso encontrar tempo para, no silêncio, esvaziar o pensamento?

A rapidez das informações faz com que o mergulho nesse mundo polua a mente e faça o coração perder a tranquilidade. Há pessoas que se perdem nesse cenário e já não conseguem ter foco. Diante disso se perde a noção do que é importante. Dá para questionar onde me leva tantas informações. O que elas ajudam para a qualidade de vida? Preciso de todas essas informações? Algumas pessoas compreendem que não podem ficar desconectadas. Essa compreensão existe. Mas, o que ela traz? Seria bom pensar também em quantas informações que recebo ou acesso que não me acrescentam nada.

Existe hoje aquilo que Augusto Cury chama de síndrome do pensamento acelerado. Significa ocupar o pensamento o tempo todo sem descanso. Estar sempre mergulhado no turbilhão das ideias. Meu pensamento é bombardeado por todos os lados pelas informações que vem de fora, pelas minhas preocupações com a realidade que me envolve e com as moções interiores que nem sempre conheço bem. Compõe o conjunto de minhas reflexões e ideias. Por vezes, isso se apresenta como um rolo compressor que esmaga.
E perceber que isso pode estar acontecendo isso comigo é o primeiro passo para a mudança. Dar-se conta de que podemos estar mergulhados nesse turbilhão que nos engole.

O exercício de parar, fazer silêncio, ajuda muito. Mas é um exercício. Preciso aprender a praticar. Encontrar no meu dia momentos em que eu possa estar comigo mesmo. Reduzir os pensamentos ao vazio que me conecta com a alma. Ali me sinto inteiro. Ali os pensamentos não me jogam por todos os lados, sem direção.

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