O que eu era antes de nascer e o que serei depois de morrer?

Publicada em 25/05/2020 às 09:05

Padre Ezequiel Dal Pozzo
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Poderia dizer que antes de eu vir ao mundo eu era um pensamento de Deus. Ao nascermos, esse pensamento se tornou carne. Ao criarmos essa convicção em nossa mente, podemos desconstruir crenças limitantes em nós. Por exemplo, quando alguém não se percebe desejado e planejado pelos pais, ou sente inconscientemente algum tipo de rejeição, pode desconstruir essa crença através da afirmação repetida para si mesmo: “eu nasci do pensamento de Deus, Ele me pensou e me quis, nasci para ser feliz”.

O nosso nascimento começa na fecundação, mas desde sempre estávamos no pensamento de Deus. A nossa morte, por sua vez, acontecerá um dia, mas para os cristãos não é o fim de tudo. O que, porém, existirá depois da morte? Muitos acreditam não existir nada depois. A vida seria este tempo na história apenas. O cerne da fé cristã, contudo crê que nós ressuscitaremos com Cristo. Como imaginar isso? Se somos frutos do pensamento de Deus, também deveremos Nele morrer. Seremos redimidos em Deus, ressuscitados em Deus. Ele que é a primeira e a última realidade, deverá nos acolher dentro Dele. Ali está a nossa razão originária. Ali harmonizaremos todas as nossas buscas e encontraremos a paz desejada. Encontraremos nosso verdadeiro lar. Do pensamento Dele saímos e no seu abraço encontraremos a paz. Ele é o começo e também a pátria definitiva.

Em Deus que é puro amor vai se realizando todo o nosso desejo, que sentimos aqui durante a nossa vida e que nesta vida não pode ser satisfeito. Como isso acontecerá concretamente, não conseguimos representar. Só podemos descrever por imagens, por tentativas de aproximação, por metáforas. A bíblia nos oferece muitas metáforas e imagens que fortalecem a nossa crença nessa realidade. Embora a gente não possa representar concretamente, a intuição profunda sente que é razoável crer e que essa crença conforta o coração.

As imagens que aparecem na bíblia descrevem a vida depois da morte, como um banquete nupcial, como uma festa eterna onde contemplaremos a Deus, sendo nós mesmos, inteiros e mantendo a nossa identidade mais pura e verdadeira diante Dele. Certo é que essas imagens, embora não garantam nada, não são sem importância. São janelas por onde nós podemos olhar e captar aquilo que vai além da compreensão e que nos coloca numa direção certa, de sentido e esperança. Esse sentido nos coloca na confiança de que na morte seremos um com Deus e que Nele encontramos a nossa verdadeira natureza, nossa origem e nosso ponto de chegada.

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