O fanatismo da pureza!

Publicada em 26/06/2019 às 17:31

Padre Ezequiel Dal Pozzo
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Jesus compara o reino dos céus a um homem que semeia a boa semente no seu campo. Numa noite, enquanto todos dormiam, veio o inimigo e semeou joio no meio do trigo. Ao crescer, joio e trigo se misturavam e os empregados pediram ao patrão se deviam arrancar o joio. Como joio e trigo são muito parecidos e suas raízes se entrecruzam, o patrão disse que deixassem o joio crescer com o trigo até o fim da colheita.

Em nossa sociedade, na Igreja, na política, nas instituições, as pessoas são uma mistura de joio e de trigo. Muitos se consideram trigo e apontam os outros como joio. Nem percebem que no seu coração são joio e trigo ao mesmo tempo. O puritanismo só existe na cabeça de quem o pensa.

Tudo indica que no início da Igreja havia o anseio de uma Igreja pura. Quem não correspondesse ao ideal cristão deveria ser expulso, arrancado do meio, excluído da Igreja. Seria isso que Jesus quis ensinar com a parábola? Certamente não. Jesus sabia o que era o ser humano e sabia que a verdade nunca esta só de um lado e que as pessoas, todas as pessoas, precisam se acolher mutuamente, num desejo comum de evolução. Ninguém chegou lá ainda. Ninguém é só trigo.

O fanatismo da pureza em qualquer instituição cria guetos. Gente de cabeça fechada que tem a pureza só na cabeça. São piedosos, mas também são pecadores, embora não se considerem. Quem luta só contra a impureza nos outros, não consegue admitir sua própria impureza. Por isso, devemos deixar que Deus no fim do mundo separe o joio do trigo.

Os fanáticos na Igreja sempre causaram devastações. Queimaram as bruxas e com isso cometeram enormes injustiças. Quem quer a pureza absoluta da Igreja não percebe que está agindo brutalmente contra os outros.

Por isso, é preciso saber conviver com a realidade de joio e de trigo, de bem e de mal, de erros e acertos que está misturada em todas as pessoas. Não há nenhum meio espiritual, nenhuma iluminação que possa nos deixar absolutamente puros, antes da morte. Diante disso, o que cabe é humildade. Reconhecer que somos luz e trevas, sábios e ignorantes, compreensivos e intolerantes, misericordiosos e julgadores. É ilusão pensar que podemos chegar à purificação total nesta terra. Só na morte poderá acontecer a purificação de nossa alma. Por isso, vamos com calma em julgar. Dizer que a outra Igreja não é verdadeira; que o outro grupo não se salva; que o outro partido é do demônio; que a outra cor não presta… isso é pensamento fraco e desconhecimento do que é a realidade humana e a vida.

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