O Coronavírus e o medo

Publicada em 13/04/2020 às 06:47

Pe. Ezequiel Dal Pozzo
contato@padreezequiel.com.br

O medo é como areia movediça que se retroalimenta.  Quando você caminha no medo, você se sentirá sempre afundando. No medo é difícil encontrar o chão firme. Diante dele a mente paralisa.

A pandemia do coronavírus desencadeou, numa grande maioria de pessoas, o sentimento de medo. Com medo, a capacidade de refletir mais calmamente não funciona. Estimulado por uma infinidade de informações, de pensamento único, sem contraponto, sem comparações de proporcionalidade, sem diferenciações de contextos, a notícia do medo, atinge o mundo. O medo nem possibilita as pessoas de reagirem. Simplesmente, ficam paradas, embebidas pelo estímulo da informação, que as impossibilita de pensar.

Em cada ser humano, no subconsciente, existe a força da vida, do amor e a força da morte. Na mitologia grega isso foi tratado como Eros (amor) e Thanatos (morte). Se a vida vai bem, se tudo está tranquilo, nós temos a tendência a favorecer a Eros. Quando as coisas não vão bem, quando temos estímulos negativos, tendemos a favorecer Thanatos.

A pandemia, abordada por um excesso de informação, desencadeou no ser humano o medo incontrolado da morte, ou seja, de Thanatos. Esse medo revela nossos registros inconscientes e traumáticos, que estão guardados na nossa mente e não controlamos. Eles podem se manifestar em qualquer momento, quando a vida passa por dificuldades. Ocorre, que agora, todos desencadeiam esses medos de uma vez só. E como a mente determina o nosso destino, então ficamos todos paralisados e certos que isso é a única alternativa. Isso ocorre quando há não há mais parâmetro entre o que é o que não é, ou entre o ideal e o real.

A atitude geral de grande parte da população, atingida pelo medo, num efeito manada, de um ponto de vista psicológico, revela os conflitos que as pessoas já traziam em seu subconsciente e estavam, de alguma forma, acalmados. A força da morte, sobre a força da vida, deixou muitas pessoas aterrorizadas. Assim, cada pessoa que sofreu esse pânico desproporcional, pode numa atitude de autoconhecimento, perceber-se e buscar evoluir, para uma atitude de mais confiança e coragem. Trocar o medo pela fé e a coragem. O coronavírus além dessa onda de sofrimento com consequências incalculáveis para a sociedade e para o ser humano, também nos obrigará, daqui em diante, a descobrirmos os aspectos positivos, frutos de uma necessária evolução da sociedade e das consciências.

0 Comentários

Deixe o seu comentário!

JORNAL NOVA FRONTEIRA
Rua 19 de maio, 103 - Centro - BARREIRAS - BAHIA
Fone: (0xx77) 3611-8811 Email: comercial@jornalnovafronteira.com.br