Depoimento: O cancêr me fortaleceu!

Publicada em 03/10/2014 às 09:38

  myrna6

Por Myrna Maia

Descobri o câncer de mama (Carcinoma ductal invasivo) aos 34 anos em agosto de 2013. É estranho, mas em nenhum momento senti desespero ou raiva, pelo contrário, uma onda de muita calma e equilíbrio tomou conta de mim. Na verdade, nunca me senti com essa doença! Costumo pensar que ela veio para me alertar, para que eu cuidasse mais de mim. Desde 2011 já sentia um desconforto nas mamas, mas fui empurrando com a barriga, ou seja, fui extremamente negligente comigo mesma até que um belo dia, já em 2013, meu filho Matheus me disse: “mãe, tô cansado de toda vez que te abraço você pede para eu tomar cuidado porque seus seios estão doendo. Se você me ama, vai ver o que é isso”!

Naquela hora achei um exagero ele ter me dito isso, mas inconscientemente empurrei com a barriga mais uma vez. Talvez se eu tivesse mais atenção comigo, poderia ter amenizado a situação. Foi então que procurei a Drª Alba Dias, mastologista (pessoa muito especial para mim!), prontamente ela  me explicou que eu teria que fazer uma biópsia para termos certeza. Quando ela me disse isso, no meu coração e na minha cabeça, já sabia que havia algo de errado, mas me mantive firme. Tamanha foi a eficiência dela que olhando para o meu semblante, me tranquilizou transformando-a naquele momento em psicóloga, mãe, amiga, irmã, mulher e principalmente uma profissional humana! Sou extremamente grata à ela por ter me preparado psicologicamente e sabiamente ter me encaminhado nas mãos de belos profissionais em Salvador.

Meu tratamento começou com a cirurgia, fiz a quadrantectomia para retirar os dois nódulos malignos. Em seguida foram quatro seções de quimioterapia com ciclos de 21 em 21 dias, tendo como complemento a realização de dois meses de radioterapia. Tudo isso foi realizado em Salvador através do Hospital Português e do Núcleo de Oncologia da Bahia(NOB). É válido ressaltar que o meu tratamento foi e está sendo realizado pelo plano Planserv (sou dependente da minha mãe que é serventuária da Justiça da Bahia) e não pelo SUS. Não que eu esteja desfazendo do SUS, sei que em algumas capitais funciona, mas se fosse para eu depender dele, certamente estaria ainda na fila… O plano me possibilitou a agilidade do tratamento e as etapas a serem cumpridas. Sou privilegiada, graças à Deus! Penso que todos deveriam ter essa oportunidade…

Nunca permiti que sentissem pena de mim, ao contrário. Costumo dizer que: ruim é quando você descobre uma doença e ela não tem tratamento. O que não foi o meu caso. Pela minha fé eu me considero curada, mas sei que não é assim e que eu ainda não estou liberada, tenho um longo caminho pela frente! Hoje em dia faço hormonioterapia com uma medicação diária (Tamoxifeno), provavelmente terei que tomar durante cinco anos, podendo prorrogar por mais cinco anos e sigo uma