Fazenda centenária de Formosa do Rio Preto é pioneira na região em ultrassom de carcaça bovina

Publicada em 31/10/2019 às 08:01

Texto e fotos JornalNF

A Fazenda Timbós, que remonta ao final do século XVII com a chegada da Igreja e dos primeiros colonos ao rio Preto e rio Grande através de sua confluência com o rio São Francisco, localizada nos vales férteis da Malhadinha, zona rural município de Formosa do Rio Preto, Oeste Bahia, é pioneira na utilização da tecnologia de ultrassom de carcaça em gado Nelore no município de Formosa do Rio Preto.

Administrada pelo Engenheiro Agrônomo de formação e Especialista em Gestão do Agronegócio, José Maria de Albuquerque Júnior, a Fazenda Timbós vinha desenvolvendo a atividade de recria/engorda e a partir de 2015 migrou sua atividade para pecuária seletiva do Nelore PO e para cria/recria de gado de Corte (nelore Cara Limpa) com foco a pasto, buscando desenvolver e ofertar ao mercado uma genética que preserve as características da Raça Nelore (Ongole), que tem por aptidão a mansidão, rusticidade, fertilidade, habilidade materna e qualidade de carcaça e para tanto mantém dois núcleos de criação e melhoramento genético. O núcleo de genética de produção, utilizando as mais produtivas genéticas do País e o núcleo fechado da linhagem baiana (Akasamu-Padhu-OM-Suvarna).
Desde então adquiriu animais registrados PO/PC/PA de rebanhos renomados de todo o País e também dos principais criadores do Oeste da Bahia.

Mas só isso não bastava para o inquieto e empreendedor Zé Maria Albuquerque, como é mais conhecido no meio pecuário. Já em 2016, incorpora tecnologias como Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e estação de monta, inseminando com a melhor genética disponível no mercado com foco no ‘Nelore de produção’, através da assessoria do Médico Veterinário Dr. Ney Conti.

Nesse mesmo ano, também se filiou a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), aderindo em seguida ao Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ/ABCZ). Dessa forma, a cada 90 dias, desde então, os animais são pesados e avaliados na Estrutura corporal (E), precocidade (P), musculosidade (M), umbigo (U), características raciais (R), aprumos (A), características sexuais (S) – (EPMURAS), Circunferência Escrotal (CE), dentre outras análises como a Ultrassonografia de Carcaça, onde recebe duas vezes por ano a visita e a assessoria do Zootecnista Dr. Luis Strang, técnico da ABCZ. Nesse mesmo ano, participou de um encontro do Grupo Nelore Baiano (GNB), na Fazenda Guranga – Nelore Gurunga, no município de Milagres, no recôncavo baiano. Esses criadores vêm mantendo parte de seus rebanhos fechados objetivando ‘preservar melhorando’ as linhagens baianas descendentes de Akazamu – Padhu – OM (Cacique e Aracy) – Suvarna, formadas com grande competência pelos mestres baianos Octavio Ariane Machado (OM), Joãozito Andrade (Trindade), Miguel Vita (Soraia) e por último Roberto Garcez (Suvarna), pois transmitem rusticidade, precocidade, habilidade materna, longevidade e Racial do legítimo ‘Ongole’ indiano. Durante o encontro do GNB fechou parceria com o criador e médico Veterinário Dr. Francisco Sales Campos, do Nelore NEBA, um dos maiores conhecedores dessas linhagens e responsável por ajudar a disseminar essa genética em todo o país e até no exterior. No fim de 2017 recebe então em sua Fazenda Timbós, cerca de 200 matrizes fechadas nas linhagens baianas, dando início a um novo direcionamento no melhoramento genético do seu rebanho.

Em junho de 2018, o pecuarista integra o Grupo ‘CONFRARIA DA CARCAÇA NELORE’ que reúne criadores de todo o Brasil, além de países da América Latina, para compartilhar conhecimento em torno do tema do melhoramento da carcaça da raça Nelore, buscando produzir para atender a uma parcela importante do mercado de carne de qualidade. Nesse mesmo ano, Zé Maria Albuquerque iniciou em seu rebanho a avaliação de carcaça, medindo Área de Olho do Lombo (AOL), Espessura de Gordura Subcutânea (EGS), MARMOREIO, pela tecnologia de ultrassom proposta pela DGT Brasil, com o Software BIA, sendo mais uma ferramenta de auxílio no melhoramento da carcaça do Nelore PO, a exemplo de que essa tecnologia melhorou o rendimento de carcaça e qualidade da carne da raça angus nos EUA.

Segundo o pecuarista, assim que os resultados positivos forem sendo identificados pela ultrassonografia de carcaça, ele pretende selecionar os melhores animais e dar início a Fertilização In Vitro (FIV). “Outro facilitador nesse processo evolutivo da Fazenda Timbós foi a parceira criador e médico Veterinário Dr. Francisco Sales Campos, do Nelore NEBA. É um gado, até por sua evolução na caatinga baiana, muito resistente, criado em condições adversas”, afirmou Zé Maria, ressaltando que esses animais apresentam características de fertilidade, habilidade maternal, mansidão, além de apresentar uma régua de ultrassonografia muito equilibrada, atributos adquiridos pelo clima semi-árido do nordeste baiano. “Os resultados obtidos na ultrassom de carcaça foram encaminhados para um banco de dados nacional da Geneplus/PMGZ que conta com cerca de 967 mil machos e 847 mil fêmeas, oriundos de diversos tipos de trato alimentar e a partir daí os animais serão ranqueados”, lembrou Zé Maria Albuquerque.

Parceiro nessa nova fase da Fazenda Timbós, o médico Veterinário Dr. Francisco Sales Campos comentou que cria Nelore há 28 anos. “Ultimamente estava criando Nelore em Rondônia e em 2017 firmei parceria com Zé Maria e trouxe parte desses animais, ‘os melhores’, para a Fazenda Timbós, onde estamos nesse processo evolutivo da raça. Aqui é uma região privilegiada de clima, com chuvas regulares e terras férteis”, disse Chico Sales, endossando que os animais se adaptaram perfeitamente no Oeste da Bahia. “Fizemos ultrassom de carcaça e fomos surpreendidos pela régua de regularidade apresentadas pelos animais. Pretendemos caminhar daqui para frente com esse olhar voltados para a seleção dos melhores animais, com aqueles que apresentarem as melhores aptidões de EPMURAS, AOL, EGS, Marmoreio, entre outros índices, como fertilidade, habilidade maternal, mansidão, desempenho em peso e em composição frigorífica”, afirmou o médico veterinário.

A meta da Fazenda Timbós é produzir animais com aptidão para produção de carnes especiais, com qualidade superior, exigência cada vez mais presente nas gôndolas dos supermercados.

Na análise obtida no ultrassom feito nos animais da Fazenda Timbós, em novembro de 2019, os dados médios das fêmeas de sobreano do nelore JMAJ e do nelore NEBA criadas a pasto (GrassFED), com pequena suplementação proteica a 0,1% do PV, na fase de Recria, quando comparados ao banco de dados GENEPLUS/PMGZ revelou:
Peso vivo – Superior; AOL – Superior; Marmoreio – Superior e EGS – Regular.

Os dados médios dos machos de sobreano do nelore JMAJ e do nelore NEBA, criados a pasto (GrassFED), com suplementação proteica-energética a 0,3% do PV até sobreano e suplementação proteico-energética a 0,5% do PV até 26 meses, quando comparados ao banco de dados GENEPLUS/PMGZ revelou também:

Peso vivo – Elite; AOL – Superior; Marmoreio – Superior e EGS – Superior.

Dos números consolidados das 220 fêmeas, idade variando de 17 a 190 meses da raça nelore PO/PC/PA, diagnosticadas na Fazenda Timbós, destacam-se: Peso médio acima de 430 kg, com variação de 250 kg até fêmea de 651 kg; Marmoreio médio acima de 3,6%, com variação de 1,57% até fêmea de 5,46%, sendo bastante superior a média do nelore brasileiro que chega próximo a 2,0%; AOL médio acima de 54,45, com variação de 33 até fêmea com 91,5; AOL100 médio acima de 12, com variação de 7,29 até fêmea com 20,14; RATIO médio acima de 0,46, com variação de 0,31 até fêmea com 0,57; EGS médio acima de 3,6%, com variação de 1,57 até fêmea com 14,55%; EGS100 médio acima de 0,8, com variação de 0,3 até fêmea com 2,55 e EGP médio acima de 5%, com variação de 2,33% até fêmea com 22,46%.

Os números consolidados dos 23 machos, idade variando de 20 a 50 meses da raça nelore PO/PC, revelaram: Peso médio acima de 425 kg, com variação de 313 kg até macho de 831 kg; Marmoreio médio acima de 2,6%, com variação de 1,32% até macho de 3,47%, sendo superior a média do nelore brasileiro que chega próximo a 2,0%; AOL médio acima de 62, com variação de 40 até fêmea com 93; AOL100 médio acima de 14,9, com variação de 11,30 até macho com 18,37; RATIO médio acima de 0,47, com variação de 0,43 até macho com 0,53; EGS médio acima de 2,39%, com variação de 1,93 até macho com 3,22%; EGS100 médio acima de 0,55, com variação de 0,34 até macho com 0,76 e EGP médio acima de 3,7%, com variação de 2,25 até macho com 4,95, sendo o esperado para os machos apresentarem marmoreio, EGS e EGP abaixo dos valores das fêmeas.

Por fim, destacam-se os resultados das filhas do touro repassador adquirido por Dr. Chico Sales (Nelore NEBA) do mestre Joãozito Andrade da Fazenda Trindade, denominado Tigre da Trindade (SJNB 7595), que possui genética fechada na linhagem Baiana AKASAMU/PADHU: Dos números consolidados de 22 filhas do Tigre, idade variando de 27 a 83 meses da raça nelore PO, diagnosticadas na Fazenda Timbós, destacam-se: Peso médio acima de 433,14kg, com variação de 338 kg até fêmea de 545 kg; Marmoreio médio acima de 3,8%, com variação de 3,57% até fêmea de 4,35%; AOL médio acima de 57,42, com variação de 43 até fêmea com 91,5; AOL100 médio acima de 13, com variação de 9,78 até fêmea com 16,98; RATIO médio acima de 0,46, com variação de 0,42 até fêmea com 0,55; EGS médio acima de 4,5 %, com variação de 2,09% até fêmea com 11,63%; EGS100 médio acima de 1,0, com variação de 0,5 até fêmea com 2,16 e EGP médio acima de 6%, com variação de 2,70 até fêmea com 9,90.

As carnes consideradas ‘PRIME’ e ‘CHOICE’ apresentam: marmoreio superior a 3,5%, idade de até 30 meses; o que indica que o rebanho Nelore PO, para o Marmoreio, está bastante perto do ideal e dos objetivos da Fazenda Timbós.

A Fazenda Timbó e sua origem

Título: Escritura Devenda, Obrigação e Quitação, livro de notas no. 02 de folhas 13 e 14, de 09 de maio de 1799, termo da Vila de São Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande do Sul, comarca de Jacobina. Proprietário Anterior: Reverendo José Pires. Proprietário: Antônio Rabelo de Araújo. Comprador: João Cardozo Amado Viana. Preço da terra: 200 mil reis. Denominação: Uma Fazenda de gados vacuns e cavalares, chamada os Timbós, com todas suas fontes, rios, logradouros matas e pastos. Benfeitorias e mão de obra escrava existente na época: 150 cabeças de gado vacuns no valor de 2.400 reis cada; 01 escravo por nome de Manoel Nação Angolta Crebado Velho no valor de 30 mil reis; 01 crioulinho por nome Vicente no valor de 70 mil reis; 01 crioula por nome de Joana no valor de 100 mil reis; 01 engenho no valor de 30 mil reis; 03 bois de carro a 5 mil reis cada; 01 jumenta no valor de 5 mil e 40 reis. Confrontantes: ao nascente – Fazenda dos Tabuleiros – lugar Varginha dos Muquens; ao poente – Fazenda dos Sítios Novos – lugar Olho D´água do Cachorro; pelo Sul – Fazenda da Canabrava; pelo Norte – Fazenda da Lapa – lugar Couro dos Simões.

Já em 1978, José Maria Toledo de Albuquerque (pai de José Maria de Albuquerque Júnior) adquiriu a Fazenda Timbós, dos herdeiros do Major Leopoldo da Rocha Souza (Major Leô). Após o falecimento do patriarca em 2003, Zé Maria Júnior adquire o domínio da Fazenda Timbós e desde então segue firme com seus sonhos e objetivos de produzir genética superior e carne de qualidade, com base nos princípios sustentáveis da Integração Lavoura-Pecuária e sistema de produção Grass Fed.

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