Tabocas do Brejo Velho: Trabalhadores do Complexo Solar Ituverava bloqueiam entrada da obra

Publicada em 06/10/2017 às 14:33

 

Reportagem Eduardo Lena | Fotos divulgação redes sociais

Trabalhadores que foram demitidos pela empresa R4 Terraplenagem, subcontratada da Enerray Usinas Fotovoltaicas, bloquearam a entrada do canteiro de obras protestando contra a falta de homologação das rescisões contratuais.

 

Segundo os manifestantes, no dia 11 de setembro a R4 Terraplenagem demitiu 18 colaboradores e homologou a rescisão de apenas 12 deles. No dia 18, também do mesmo mês, outros 28 tiveram seus contratos cancelados, e até a presente data, não receberam seus direitos trabalhistas.

 

Os manifestantes alegam que as homologações deveriam ter ocorrido até o último dia 28 de setembro. “Enquanto não tivermos nossas rescisões homologadas vamos impedir que caminhões e veículos que transportam materiais cheguem até a obra”, disse um dos demitidos. Outro funcionário, que preferiu não se identificar, disse que entende a demissão, apenas gostaria de receber seus direitos para poder voltar para casa. “Estou sem dinheiro até mesmo para comprar passagem, pois moro em São Paulo e vim para a região com a promessa de um bom emprego”, comentou.

A R4 Terraplenagem é subcontratada da Seci Energia do Grupo Industrial Maccaferri, através da Enerray Usinas Fotovoltaicas, que foi a escolhida pela Enel Green Power para a construção de uma das maiores usinas solar da América Latina, na cidade de Tabocas do Brejo Velho, Oeste da Bahia.

Em contato com a R4 Terraplenagem, nossa reportagem foi informada que devido a inadimplência da Enerray Usinas Fotovoltaicas para com a R4 Terraplenagem LTDA, ficou acordado entre as ‘Partes’ que a contratante (Enerray) realizaria o pagamento das rescisões dos ex-colaboradores da R4, à semelhança do que ocorreu nas últimas demissões, e posteriormente procederia o respectivo desconto dos valores devidos pelos serviços executados da R4 Terraplenagem, que até a presente data não foram pagos, os quais superam o valor das rescisões.

“Toda a documentação pertinente a dispensa dos últimos colaboradores foi devidamente encaminhada para o setor de Recursos Humanos da contratante, tal qual, foi da última vez, no entanto para a infeliz surpresa da R4 Terraplenagem, a contratante não realizou os pagamentos, mesmo a R4 Terraplenagem possuindo valores pendentes de pagamento que superam o valor de todas as rescisões”, disse Mélvin Brasil Marotta, advogado da R4, ressaltando que até o momento a contratante não respondeu os e-mail’s da R4 e sequer as notificações enviadas no que tange ao pagamento dos valores dos serviços prestados.

O advogado informou ainda que as obras do Complexo Solar Ituverava, de responsabilidade da R4 Terraplenagem, foram concluídas no mês de junho de 2017 e finalizou afirmando que a R4 Terraplenagem LTDA esclarece que nunca se furtou de suas obrigações e funda-se suas relações no respeito humano, ético, zelando pelos bons costumes, desempenhando com rigor a função social da empresa.

Nossa reportagem entrou em contato com a ouvidoria da Enerray Usinas Fotovoltaicas pedindo que a empresa se pronunciasse sobre o ocorrido, mas até o fechamento desta matéria não fomos contactados, numa demonstração de descaso da multinacional para com os trabalhadores demitidos.

 

Diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav – Bahia) estão em Tabocas do Brejo Velho e prometem paralisar todos os serviços no Complexo Solar Ituverava até que seja solucionada a questão dos trabalhadores demitidos.

 

O projeto Ituverava, cujas obras começaram em dezembro de 2015, terá capacidade de 254 MW, com produção anual de energia estimada em 500 GWh. A previsão era que o parque solar entrasse em funcionamento em meados de 2017, mas percalços como esse, atrasaram o cronograma da obra.

Dados divulgados pela Enerray atestam que o Complexo Solar Ituverava será uma das maiores usinas de energia solar da Enel Green Power, que ajudará a suprir à demanda constante de energia elétrica no país – que de acordo com estimativas vai aumentar a uma taxa média de 4% ao ano até 2020.

2 Comentários

  1. Arenildo feitosa santos disse:

    Eu só um dos trabalhadores que tou a um ano e um mês trabalhando messa obra que sair dia 18 tou na greve lutando por mim recizao trabalhista sou de porto velho Rondônia trazido pela empresa R4 terraplanagem pra trabalhar como OP. Pá-carregadeira não tenho como ir pra casa

  2. Elza disse:

    Conheço muitos deles uns trabalhava aqui Barreiras Bahia tiam uns de long .depois dependa todos .coitados tem família .

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