SÍNODO SUSPEITO. SUSPEITÍSSIMO, ALIÁS

Publicada em 19/03/2018 às 10:53

 

Ronaldo Ausone Lupinacci*

Os grandes grupos de “mass media”, ou, simplesmente a mídia, são peritos em desinformação e desorientação, porque servem ao “governo dos governos”, ou, com ele até certo ponto se confundem, assunto sobre o qual não vou me estender. Assim, bombardeiam o público com notícias de pouca importância, e, dão desproporcional ênfase a outras. Ao mesmo tempo, silenciam sobre fatos relevantes, ou os distorcem. E, sobretudo, procuram evitar que se estabeleça o nexo lógico entre assuntos correlatos, o que nos permitiria melhor discernir acerca dos propósitos do mencionado “governo dos governos”. O método consiste em bloquear a atenção da opinião pública e aniquilar sua capacidade de análise. Neste contexto se enquadra o tema de hoje.

Em julho de 2015, o General Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército em depoimento ao Senado lançou alerta sobre os riscos de enfraquecimento da soberania do Brasil, quanto à parte de nosso território situada na região amazônica. Referiu-se a situações que limitam a autoridade do País sobre decisões estratégicas tendentes ao desenvolvimento equilibrado. Na oportunidade, o destacado militar aludiu, também, à proposta do presidente colombiano Juan Manuel Santos (protetor das FARC) para criação de um corredor ecológico na Amazônia, desde os Andes até o oceano Atlântico, abrangendo o território brasileiro, ideia que seria levada à Conferência de Mudanças Climáticas (COP 21). Em https://ipco.org.br/igreja-pan-amazonica-a-ultima-loucura-para-desfazer-o-brasil/ o leitor poderá ver o mapa do imenso território transnacional, a ser criado sobre partes do Peru, Equador, Colômbia, Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Segundo o General Villas Bôas, a intenção consiste em manter toda a extensão do corredor intocada, sem exploração de suas riquezas a pretexto de deter mudanças climáticas. A inspiradora da proposta teria sido a Fundação Gaia, vinculada à Gaia Internacional. Disse, ainda, o general que combater este processo equivale a combater fantasmas porque não se sabe de onde vêm, quem são, o que fazem, quais são seus reais objetivos. Recentemente, em audiência pública, Eduardo Villas Bôas retomou o tema, salientando que o Brasil é uma nação sem consciência da sua própria grandeza e das riquezas presentes em seu território”(*1), posto que “ projeções trabalhadas pelo Exército calculam em cerca de U$ 23 trilhões o potencial em recursos naturais existente apenas na região amazônica”.

Permito-me discordar, em parte, do chefe militar. Podemos saber, sim, de onde vêm, quem são, o que fazem e quais os reais objetivos daqueles que trabalham para petrificar a Amazônia. E nisso tudo há uma convergência de interesses conspiratórios. Há muito se sabe existir cobiça internacional sobre a Amazônia. Apenas para exemplificar me remeto ao livro-reportagem escrito por Nelson Ramos Barreto e Paulo Henrique Chaves intitulado “Roraima: cobiça internacional com novas perseguições aos produtores rurais”. Também se sabe que existem forças ideológico-religiosas desejosas de impor seu projeto utópico de uma nova civilização tribal, com base no obscuro conceito de “territorialidade”. As duas frentes atuam conjugadas para eliminar a soberania nacional sobre a Amazônia, uns para predar suas riquezas, outros para estabelecer uma organização social assemelhada ao comunismo, com tinturas religiosas, para o que, ao que parece já foi até edificado um templo(*2). Examinarei, aqui, somente a segunda frente.

Denis Lerrer Rosenfeld, professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em artigo publicado em “O Estado de S. Paulo”(*3) afirmou com acerto: “Para que se possa melhor compreender os atuais debates em torno das questões ambientais, com reflexos na vida das cidades e do campo, torna-se necessário compreender a mentalidade dos ambientalistas radicais. Em vez de ponderações científicas, observamos cada vez mais concepções de fundo religioso, em que os seus agentes, como uma espécie de profetas, defendem a sua causa de uma maneira absoluta”. Para não ter de listar tantas outras fontes de denúncias análogas cito o artigo “Mudando segundo o vento” escrito por Gregório Vivanco Lopes para a revista de cultura “Catolicismo” (edição de setembro de 2015), baseado em documentos publicados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), órgão da conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Papa Francisco, impulsionando o projeto de autodemolição da Igreja Católica, e, de extinção do que resta da antiga civilização cristã, convocou para outubro do próximo ano um Sínodo de bispos a fim de iniciar uma “nova evangelização”. Esta estranha “evangelização” na verdade visa manter os indígenas na sua condição primitiva enquanto órgãos da floresta amazônica(*4). Para justificar sua atitude o Papa repetiu mito já enterrado e desacreditado segundo o qual a Amazônia seria o “pulmão do planeta”, quando se sabe que 90% do oxigênio provém dos oceanos(*5). E, por isso um poder planetário, vale dizer um governo mundial (o “governo dos governos”, sem véus) deveria custodiá-lo.

Na verdade a investida do Papa engloba pelo menos três frentes, isto é, objetiva matar três coelhos (e não apenas dois) com uma única cajadada, vale dizer o Sínodo. Duas delas emergem da convocação da assembleia episcopal: a) identificar novas formas de evangelização; b) lutar pela ecologia na Amazônia(*6). Dentro das novas formas de evangelização se cogita da ordenação de diáconos casados, como medida para a futura abolição do celibato clerical no rito latino (nos ritos orientais o casamento de sacerdotes ainda é permitido), tema do qual não me ocuparei.

A terceira frente está implícita no prestígio à forma sinodal (colegiada) de governo da Igreja, isto é, transformar o Papa de rei em presidente e a Igreja de monarquia em democracia. É o que está por trás da Igreja Sinodal sobre a qual o Papa Bergoglio fala frequentemente(*7). Este projeto representa um antigo anelo da seita modernista-progressista que deu origem à Igreja Conciliar (enquistada na Igreja Católica), enunciado há mais de 40 anos atrás (E. Schillebeeckx, “Fundamento da autoridade na Igreja”, VA, Cinco problemas que desafiam a Igreja hoje , São Paulo: Herder, 1970, pp. 42-43; F. Klostermann, “Principi per una riforma di struttura della Chiesa”, VA, La fine della Chiesa come società perfetta, Verona: Modatori, 1968, p. 278; Alfredo Marranzini, “Resumo” de Gustave Thils, Choisir les Évêques? Élire le Pape?, Paris: Lethielleux, 1970, em La Civiltà Cattolica, 5 de junho de 1971, p. 506).

Em síntese, a questão da Amazônia não se limita ao terreno geopolítico, mas se insere em investida muito mais extensa, conduzida pelo Vaticano. De qualquer maneira, também sob o aspecto geopolítico nos interessa sobremaneira posto que irá implicar na decomposição de nosso território, a pretexto de proteção aos índios e à natureza. Sintomaticamente, assinale-se a questão indígena vem tomando contornos dramáticos em nossas regiões fronteiriças (Roraima, Mato Grosso do Sul e Paraná), e, há uma suspeita coincidência entre a localização das reservas indígenas e a existência de imensas riquezas minerais.

Resta saber se Roma conseguirá executar seus projetos antes da destruição ameaçada por Nossa Senhora em Fátima(*8), para o que o raio que caiu sobre a catedral de São Pedro pode ter sido um último aviso(*9).

* O autor é advogado e pecuarista.

(*1)https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/06/22/para-comandante-do-exercito-pais-precisa-de-projeto-para-recursos-da-amazonia
(*2)https://www.tripadvisor.es/ShowUserReviews-g294308-d1213080-r361903234-La_Capilla_Del_Hombre-Quito_Pichincha_Province.html
(*3)http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-mal-e-o-capitalismo-imp-,894448
(*4)https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/2018/02/brasil-sendo-desgarrado-panamazonia.html
(*5)https://super.abril.com.br/comportamento/o-verdadeiro-pulmao-do-planeta-sao-os-oceanos/
(*6)http://traditioninaction.org/bev/209bev10_30_2017.htm
(*7)http://www.traditioninaction.org/bev/200bev01_30_2017.htm
(*8)http://jornalnovafronteira.com.br/fatima-reconstituicao-provavel-do-texto-do-segredo/
(*9)http://g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/02/raio-atinge-basilica-de-sao-pedro-apos-papa-anunciar-que-vai-renunciar.html

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