O mundo é imperfeito e limitado

Publicada em 27/04/2017 às 14:19

Padre Ezequiel Dal Pozzo
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Se partirmos dessa ideia, compreenderemos melhor a existência do mal no mundo. Não dá para dizer que o mundo foi criado perfeito e depois se tornou imperfeito, só para desculpar Deus e culpar o ser humano. Não precisa culpar ninguém. Nem Deus e nem o ser humano. Basta pensar e perceber que o Deus criador que é perfeito e ilimitado cria algo diferente de si, que é o mundo. Deus criou o mundo. O mundo é diferente de Deus. Não há como Deus criar um mundo perfeito e ilimitado. Perfeito só Deus. Ilimitado só Deus. O mundo é imperfeito e limitado desde o princípio de sua criação. Não há como ser de outra forma. Não é possível Deus criar algo perfeito porque Deus estaria criando a si mesmo, o que é um absurdo. Deus é o eterno o incriado. O princípio sem princípio. O perfeito e ilimitado. Isso faz perceber que o mundo que sai de suas mãos não pode ser perfeito e ilimitado, porque só Deus é assim. Só ele, repito mais uma vez. O mundo que sai dele precisa ser diferente Dele. Senão Deus estaria se autocriando, o que é um absurdo. Sendo o mundo limitado e imperfeito, isto é, diferente de Deus, carrega em seu dinamismo os traços de Deus. Porque saiu de suas mãos carrega os traços, as marcas de Deus, mas não é perfeito como Deus é.

Agora já percebemos que aquilo que nós dizemos acerca da criação é inapropriado. Dizemos que Deus criou o mundo perfeito e o ser humano o estragou. Essa ideia não está certa. Deus criou o mundo imperfeito, com traços de perfeição, limitado com traços do ilimitado que é ele mesmo, o criador. Essa ideia pode parecer um pouco chocante. Mas ela vai encontrando evidência e se clareando na medida que a submetemos a nossa razão. Nós pensamos que tudo aquilo que sai de Deus é perfeito. É uma ideia interessante na intenção. Porque se Deus é bom, amor e perfeito, tudo o que sai dele deve ser assim, bom, amor e perfeito. Só que essa ideia volta sempre a questão de que Deus não cria a si mesmo e que perfeito é só ele. Puro amor é só ele. Pura bondade só ele. Nós e a criação carregamos, na imperfeição e no limite de nossa natureza, traços dessa bondade, da perfeição e do amor de Deus.

Diante dessa ideia podemos dizer que o mal está como possibilidade pelo fato de o mundo ser imperfeito e limitado. Não é Deus e nem o ser humano a causa do mal. O mal acontece todo dentro do mundo. Sua causa está dentro do próprio mundo e não fora dele. É possível que o mal aconteça por causa do limite e da imperfeição. Onde existe limite e imperfeição pode haver choques, doenças, catástrofes naturais, problemas e carências. Por isso, dá pra dizer que não dá para pensar esse mundo perfeito, sem nenhum mal. Esse mundo sempre foi e sempre será imperfeito. E isso em nada diminui sua beleza e maravilha. Não precisa dizer que foi perfeito e depois se tornou imperfeito, o que seria um absurdo. Ele sempre foi o que é, com seus males oscilando entre mais ou menos gravidade segundo os períodos diversos da história.

No limite e na imperfeição sempre haverá a possibilidade do mal. Digo possibilidade para não dizer necessidade. Porque é possível que aconteça fenômenos da natureza que tragam mal; é possível que vírus e bactérias provoquem doenças; é possível que as carências e imperfeições afetem a harmonia das coisas e se manifestam como mal para as pessoas ou comunidades. Se não acontece hoje poderá acontecer amanhã ou aqui algum tempo. Por isso, a possibilidade é sempre algo aberto. Impossível será impedir todo e qualquer mal.

1 Comentário

  1. Emerson disse:

    Bom dia Pe. Ezequiel.
    Meu nome é Emerson sou católico praticante e estou cursando a teologia para leigos no Santuário de Nossa Senhora da Abadia em Ituiutaba\mg.
    Li seu comentário e me veio a seguinte indagação.
    Se Deus é perfeito, é inconcebível que Ele crie algo que não seja perfeito.
    É impossível que Deus relaxe, seja desleixado, provoque criar algo que não seja único e completamente perfeito.
    Quando lá em Gênesis: 1, 26. Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Traz uma entonação de que Ele determina a outros essa função, e não a Ele mesmo, visto que, Deus não precisa falar para si mesmo o que Ele deve fazer ou como deve fazer.
    Posto isso, se a criação foi executada por seres iluminados pelo poder de DEUS, esses seres são em regra limitados, logo, com uma centelha divina, mas não capazes de criar algo divino, tão pouco perfeito.
    Dizer que Deus criou algo diferente de si, logo, por isso seria imperfeito é dizer que Deus brincou de errar.

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