![]() |

|
|
Vinicius Lena
A data só foi notada em Barreiras por ser mais um feriado no calendário. Apenas isso. O comércio fechou as portas, permitindo que a população saísse à procura das áreas de lazer. Ou simplesmente ficasse em casa espreguiçando-se à sombra dos oitizieros em mais um feriadão prolongado. Ao contrário do restante do Estado da Bahia, principalmente em sua capital Salvador, em que houve festividades, desfiles cívicos, paradas militares, com direito a bandas marciais e tudo o mais que exige uma festa digna de uma grande data. E essa grande data, que devia ser maior do que o “Sete de Setembro” para todo o Brasil, comemora-se a expulsão definitiva das tropas portuguesas do território nacional. Eis que, não fora isso, o Brasil do Grito do Ipiranga teria permanecido como independente de Portugal, apenas do Rio de Janeiro até a província Cisplatina no Rio da Prata.
E segundo Laurentino Gomes, autor da obra 1822, “os baianos têm bons motivos para celebrar. Foram eles os brasileiros que mais lutaram pela Independência. A guerra contra os portugueses na Bahia durou um ano e cinco meses, mobilizou 16 mil pessoas só do lado brasileiro e custou centenas de vidas. Foi ali também que o Brasil independente correu o mais sério risco de se fragmentar. Depois da expulsão do general Avilez do Rio de Janeiro em fevereiro de 1822, a metrópole portuguesa concentrou suas forças em Salvador. O objetivo era dividir o Brasil. As regiões Sul e Sudeste ficariam sob o controle do príncipe regente D. Pedro. O Norte e Nordeste permaneceriam portugueses. E com isso eles alimentavam a esperança de eventualmente atacar o Rio de Janeiro e retomar as demais províncias separadas. A coragem e determinação dos baianos impediram que isso acontecesse”.
Foi uma guerra sangrenta. As forças brasileiras mal equipadas, que lutavam na base do entusiasmo cívico e foi escrita com atos de heroísmo de homens e mulheres baianas. E aqui cabe um parêntese que diz muito bem o que foi a resistência baiana naquele episódio: A camponesa Maria Quitéria de Jesus, nascida na cidade de Cachoeira, cortou o cabelo, vestiu-se de homem, desenhou um bigode na cara, alistou no exército, pegou em armas e enfrentou com bravura indômita as tropas portuguesas, tornando-se, com isso uma heroína nacional na Guerra da Independência. Enfim, como afirmou o historiador Tobias Monteiro, “A resistência baiana decidiu a unidade nacional”.
Pois é. A todas estas, alguém viu algum ato comemorativo ao Dois de Julho em Barreiras? Aliás, a única comemoração que acontece todos os anos nesse dia é a festa de cunho religioso – que não tem nada a ver com aquele episódio histórico – a romaria ao Cantinho Senhor dos Aflitos. Onde, principalmente em anos de eleições como o atual, além dos romeiros, os políticos locais acorrem em piedosa romaria, pagando promessas e ou se comprometendo ao Divino caso sejam eleitos.
E se você perguntar a um estudante secundarista o que a data significa para a Bahia e para o Brasil, certamente ele se embananará todo. Pois seu conhecimento limita-se àquele local, à beira do rio Branco, onde no Dois de Julho, todos os anos, ele vai rezar as ladainhas ao Senhor dos Aflitos.
Apenas isso.
Isto posto, cabe aqui uma indagação: Este descaso com o Dois de Julho não estaria no fato, sobejamente comprovado, que o homem oestino está mais ligado social e culturalmente à sua região Oeste, ou ao Centro Oeste do Brasil, do que a Bahia litorânea? Procura-se uma resposta.
Comentários |
