III Mostra de Teatro do Velho Chico e os impactos teatrais no interior

Publicada em 12/04/2017 às 07:55

Texto Fernando Dias | Fotos Joyce Farias

O encerramento da quinta noite de Mostra de Teatro em Caetité finalizou assim com um grito forte, contra a reforma da previdência e pedindo FORA TEMER!

A III MOSTRA DE TEATRO DO VELHO CHICO encantou a Cidade de Caetité durante toda uma semana. Foram 15 espetáculos de teatro, 6 oficinas, palestras, bate papos e mais de 1500 pessoas assistindo os trabalhos de mais de 8 grupos de teatro de ao menos 4 territórios de identidade. Além da expressão dos números o que fica na cidade de Caetité e consequentemente o que levam os grupos e artistas que vieram de outras cidades e até estados é o sentimento da energia coletiva que move as coisas, principalmente quando tratamos de uma arte tão humana que é a o teatro. A cidade não chovia há meses e o início dos trabalhos da mostra foi marcado com um período abundante de chuvas que não havia sido previsto pela meteorologia. A média era de três espetáculos por dia, sendo que o último só teria início às 21:00h. Os ingressos começaram a ser distribuídos na quinta-feira da semana anterior e a saída dos mesmos começou a crescer vertiginosamente até começar a chover na segunda feira. No entanto conforme as chuvas aumentavam durante a semana, os espetáculos continuavam lotando a cada sessão. Os grupos foram chegando durante a Mostra junto com as chuvas e durante todo o evento conviveram juntos em harmonia e incluímos aqui os dois espetáculos que aconteceram no quintal da Casa Anísio Teixeira onde a chuva cessou estranhamente na hora de começar o espetáculo e só retornou quando havia terminado. Além do espetáculo particular das chuvas, destacamos aqui o empenho dos grupos que participaram da Mostra.

A cidade de Caetité contribuiu com quatro espetáculos que começaram a ser montados ao termino da Mostra do ano passado em Bom Jesus da Lapa. As companhias Artmanha (Romeu e Julieta), Contracapa (A Valsa), Imagem e Ação (Beijos Amiga) e Trupe dos Dorbradores de Arte (Vô Doidim e a Batalha Final), trouxeram espetáculos inéditos ao palco que os acolheu desde a surgimento destes grupos. Percebe-se que o que faltava era justamente a organização de metas e objetivos para fomentar, criar e produzir e foi justamente isso que a Rede de Teatro do Velho Chico proporcionou. Além dos grupos de Caetité, destacamos outro grupo sempre presente nos eventos regionais que é a Cia Ká entre nós de Macaúbas que tem anos de história e que pela primeira vez participa de um evento deste porte trazendo um espetáculo (Medéia Femina). Dos grupos que vieram de mais longe destacamos a Cia Teatrando de Barreiras (As Bondosoas, Mamãe Porra Louca e Velhice ponto G), que somaram com um espetáculo já conhecido no Oeste mais que arrebatou o público pela ousadia e técnica na condução. A Cia Mistura de Ibotirama (A Megera Domada, Órfão Confesso, As Lendas do Velho Chico e Carranca) um caso à parte porque é justamente através dela é que surgem todas as iniciativas da formação da rede, além de ser um grupo que apoia desde sua fundação a disseminação do teatro e da poesia, tornando-se uma das maiores referências do interior do Estado. Vale ressaltar a luta da Cia Trakinos de São Desidério pra chegar até a Caetité, pra contar a história da sua cidade e nos brindar com a cultura que as bandas de cá ainda não conhece. Citamos também a participação do grupo OffCena (Pluft) de Ibotirama, provando que é possível renovar a safra de artistas partindo do exemplo dos mais velhos. Contudo compreendemos a cada ano que passa que os grupos do interior do estado são antes de tudo resistência e que quando se jutam são capazes de coisas extraordinárias como fazer chover e multiplicar sonhos.

A rede de Teatro do Velho Chico agradece imensamente a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para que esta Mostra desse certo e principalmente a aqueles que continuarão lutando para realização da próxima edição que acontecerá nas Cidades de São Desidério e Barreiras em 2018.

O projeto tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural e Secretaria de Cultura da Bahia/”, pelo Edital Setorial de Teatro – 2016/17

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