Denunciar o abuso sexual uma decisão tocada pela responsabilidade

Publicada em 10/05/2017 às 07:38

Professora Tina Laura

Durante os 25 anos de minha profissão, tenho observado que muitos casos de abuso sexual, aliciamento, assédio contra crianças e adolescentes tem inquietado os professores porque quando vitimadas as crianças tendem a optar pelo isolamento, à tristeza e ao medo que impede a participação na rodinha de conversas atividade pedagógica criada para valorizar o diálogo entre os colegas e a professora.

Fora da Escola essa responsabilidade não é diferente, todo cidadão é responsável pela proteção da criança quando esta estiver ao seu redor mesmo que não tenha vinculo parental. Mas em muitos casos na hora de denunciar bate aquele medo de envolver-se que acaba omitindo. Pois geralmente quem ver são vizinhos, amigos, conhecidos e por medo de represália não denunciam e isso tem contribuído com o aumento dos casos alarmantes.

Costumo dizer que a dor da criança que sofre o abuso é silenciosa bem como a omissão de quem ver e não denuncia.

E muito mais fácil chamar a policia para um marido batendo em sua esposa que grita socorro para a vizinhança, do que alarmar para que toda rua saiba que um menor está sendo abusado. Nunca se viu alguém fazer isso. E olha que ainda assim a lei Maria da Penha pouco se dar conta de casos nunca  denunciados por terceiros.

A lógica é que; se trata de um adulto, com toda condição de denunciar por si mesmo e as crianças sequer denuncia para a mãe que estar ao lado.

Gente isso é muito grave.

E preciso construir laços de confiança, afeto, segurança aos nossos filhos ou o agressor fará isso de forma tão tranquila que nem a criança sente que está sendo lesada pra sempre.

Mas a observação que quero fazer é quanto mais faltar coragem para denunciar mais alarmantes teremos os dados.

Chamo atenção dos órgãos de proteção no tocante a estrutura física, transporte que possuem para oferecer agilidade aos casos, pois   dependem muito de suporte investigação, notificação, visualização em menor tempo possível.  É que na maioria dos casos os abusos estão encobertos no silencio dos lares, nas comunidades centrais e periféricas e exigem muita cautela na investigação.  E vejo que quem denuncia quer resposta imediata e nem sempre o conselho tutelar possui essas estruturas.  Observem que a criança abusada em vezes vivem no casulo falso da proteção familiar difícil de aproximações externas mais interiormente gritam por ajuda. Ciente da impossibilidade de denunciar por si só. Por isso quem presencia e não denuncia comete a omissão.

Minha gente O aliciador de menores é um grande observador da vítima e delimita pela situação em que se encontra e aproximar de uma criança é sempre fácil basta estar na ausência de um adulto é claro, no retorno da escola, nas brincadeiras, na hora do banho, na hora do sono, nos parques de diversões dentre outros locais. Por isso é importante que oriente-as não para ser desconfiada dos parentes mas a serem atentas aos sinais o que chamamos de leitura do pensamento curioso e intuitivo de comunicar comportamentos que achar estranho, algo que ferem a sua dignidade tocando em seu corpo dizer que não gostou e pedir socorro … e o mais importante dialogar com quem confia… pode ser que essa pessoa seja ou não da família… ensine a falar de sentimentos e preocupações. É um exercício de proteção.

Foi denunciando um caso de abuso sexual na família e sem o sucesso esperado, que resolvi escrever e conversar sobre o assunto em uma cartilha de orientação para crianças. Outro motivo foi parando para  ouvir  a história de uma mulher já idosa, que sofreu abuso sexual na infância seguido de gravidez indesejada dentro do próprio lar que me fez pensar na dor descrita por ela na condição de indefeso, lado a lado com a família e o abusador munido de carinho falso que deixou marcas em sua vida e quem sabe isso não esteja acontecendo também com alguém que você conheça.

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