Carências no Facebook e WhatsApp

Publicada em 12/12/2016 às 14:46

Padre Ezequiel Dal Pozzo    
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Todo ser humano é um pouco carente. Faz parte da nossa condição sentirmos insuficiências ou não estarmos totalmente satisfeitos com aquilo que somos e temos. Somos habitados pelo desejo de algo mais. A carência precisa ser percebida por nós, de tal modo a não pensarmos que é isso ou aquilo que vai eliminá-la. Nunca a eliminamos por completo. Precisamos aprender a lidar com ela. Ela faz parte daquilo que o ser humano é.

Ocorre que muitas vezes essa carência é tão forte que mexe com toda a pessoa. Parece que ela é perseguida pela carência. Isso se percebe em muitas pessoas atualmente. São profundamente carentes, insatisfeitas, estão a procura de migalhas de amor, de aprovação e aceitação. Aqui não faço um julgamento, mas sim uma constatação. O nosso tempo que possibilita, como nunca antes, contato com tantas pessoas, produz seres humanos altamente carentes, com contatos com muitos e com ninguém ao mesmo tempo. Tudo é líquido. Os relacionamentos não são consistentes e nem conseguem dar conta das carências. Precisa-se sempre de alguém, de uma conversa, de uma aprovação ou de uma mensagem para nos dizer que somos.

Considero que esse sentimento manifesta o início de uma doença: da solidão, da insuficiência aguda. A pessoa tem relacionamento, convive, trabalha, encontra gente, mas se sente só. E pior, não tem habilidade nenhuma para trabalhar essa sua solidão.

Vejo isso muito nas redes sociais. Pessoas que têm necessidade de comentarem sempre os mesmos personagens, dar sua opinião, ou manifestarem seu ponto de vista no WhatsApp, nos grupos ou individualmente, mais revelam carências do que constroem relacionamentos. Se você sempre responde a alguém nos posts do Facebook, provavelmente, você mais tem necessidade de ser notado, do que simplesmente valoriza o que o outro escreveu. Não vejo a mesma coisa, por exemplo, em quem curte ou compartilha. Curtir ainda é algo mais discreto, estou entre outros tantos, e compartilhar manifesta aquilo que acredito ou penso. Não compartilho, por exemplo, para ser notado. O que manifesta mais minhas carências é a necessidade de falar, de expressar aquilo que sinto e penso o tempo todo, não conseguindo conter em mim aquela “reserva de conteúdo” que é só meu, que mesmo, às vezes dolorido, não preciso falar a ninguém. Falar sempre, escrever sempre, manifestar minha opinião aos mesmos personagens, podem ser eles padres, palestrantes, artistas, políticos, rádio, jornal, marca, instituição ou organização, normalmente, mais manifesta carência do que serenidade e maturidade. Esse comportamento beira bem próximo da doença. Pessoas com esses comportamentos querem receber uma “migalha de resposta” que lhes diga que não estão sozinhas.

Tenho convicção de que esse comportamento não é solução para as carências. Deveriam olhar para dentro de si mesmas, sofrer essas carências, mas encontrar as respostas lá dentro, no contato profundo consigo e com Deus. A partir disso cada um pode avaliar seu comportamento.

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