Por uma educação verdadeiramente libertadora nacional

Publicada em 20/11/2018 às 15:50

Professor Elísio Brasileiro Presidente da Fundação Ulysses Guimarães da Bahia

Dentre as várias lições que a história das civilizações nos legou, como o estado democrático participativo, o sistema normativo da sociedade, em forma de direito, a reflexão sobre a origem, estrutura e finalidade das coisas do mundo e da vida, duas ouso destacar: a memória objetiva de um povo de fatos sociais vividos e a fundamental importância da educação para a construção de uma vida melhor, coletivamente mais feliz.

A partir da Grécia, mundo borbulhantemente comercial, marítimo, insular e peninsular, reinando sobre o Mediterrâneo, banhando Europa, África e Oriente há 2.500 anos, nasce História quando Heródoto ao estudar a relação entre o grande rio africano ao cortar seu deserto, e a sociedade que ali se organizava, fomentando a irrigação e consequentemente a agricultura, forjou a antiquíssima civilização egípcia, nos proporcionou a máxima ‘‘O Egito é uma dádiva do Nilo’’, e Sócrates e seu discípulo Platão, ao filosofarem, conceberam respectivamente, as escolas Peripatética e o Liceu, primeiras expressões de educação de grupos da humanidade. Assim, filosofia, pedagogia, cidadania, história, geografia, teatro, música, poesia, artes plásticas, oratória e tantas outras expressões culturais, brotam da interação entre povos, animados por uma economia dinâmica e expansionista.

Dessa forma sou taxativo: Sem consciência histórica e sem projeto consistente de educação não há futuro para o povo: Reina ‘‘Em berço esplêndido’’, a alienação, a preservação de privilégios dos oportunistas, a corrupção e a desesperança da gente que se confunde com gado, que, desconhecendo a honradez e a ética, marcha com hinos e seitas aguardando dos falsos heróis ordens divinas, para, fazer eco com o amém!

Em breve diagnóstico da realidade brasileira, como educador há meio século, lidando com estudantes de nível médio e superior, em regência de classe, coordenação pedagógica, direção escolar, conselho estadual de educação, educação pública e privada, secretário municipal de educação e cultura de Salvador, presidente de diversas Fundações voltadas para Educação e Cultura, e, acima de tudo, cidadão brasileiro, faço algumas considerações e sugestões para reflexões.

Triste Brasil! Tristíssimo Nordeste!

Lamentável Bahia!

Altos índices de analfabetismo e elevadíssimos de analfabetismo funcional;

Evasão escolar as piores do mundo;

Desconexão entre escola e o mundo do trabalho (Escola tradicionalista sem compromisso com a formação profissionalizante do educando);

Desvio de recursos públicos para merenda e transporte escolar por parte de poderes públicos municipais com licitações fraudulentas e desfuncionalidade dos sistemas de controle interno e externo;

Péssima remuneração de professores e técnicos em educação e pequeno investimento em capacitação continuada do quadro de educadores com desvio viciado e fraudulento de recursos;

Falta de manutenção das escolas e transporte escolar;

Desarticulação entre equipamentos educacionais e comunidades em que estão situados.

Um salto histórico pode ser dado na educação básica e de nível médio: substituição gradual, com metas bem definidas, das escolas tradicionalistas pela escola profissionalizante, sem necessário repasse de recursos financeiros para municípios, forçando-os a formação de consórcios municipais, o que também poderia se dar no tratamento de resíduo sólidos, estradas, hospitais, etc. A grade curricular, necessariamente, seria estabelecida pelas comunidades a serem beneficiadas, onde os serviços educacionais seriam ofertados, levando-se em conta atividades e vocações econômicas locais.

Desenvolvimento imediato de cursos semipresenciais, mesclando educação à distância ‘‘EAD’’ e encontros periódicos com professores. O número de aparelhos celulares hoje é o dobro da população e o seu custo é cada dia que passa mais reduzido, o que poderia ser bancado pelos consórcios e/ou operadoras.

Medidas como essas elevariam o rendimento escolar, melhorando sensivelmente os índices de avaliação, reduziriam as taxas de analfabetismo, proporcionariam maior produtividade e quebrariam a inercia econômica. A lição histórica da reforma educacional napoleônica na França na fase de Consulado há dois séculos, universalizando e profissionalizando a educação, após os turbulentos anos jacobinos e girondinos, preparou aquele país e a Europa para a consolidação da revolução industrial.

Quem sabe se tais ações que abrigam a modernização e eficácia da educação, melhorando bastante a nossa remuneração, digo, de professores não resultariam no desejo de nossos jovens de serem também professores?

No rito de passagem do ensino médio para o superior o exame vestibular com a nova roupagem de ENEM carece de substanciais mudanças, além da avaliação e capacidades e habilidades adquiridas por vivencias e conhecimentos atualizados e contextualizados, requer urgentemente regionalização no nosso continente – Brasil, valorizando as culturas diversas de nosso diversificado país, com desafios – questões – em que a história, geografia, manifestações artísticas, como, por exemplo a literatura, apareçam, permitindo aos candidatos avaliados que haja a mensuração de suas habilidades como reflexo da relação concreta e objetiva do meio social e natural com o indivíduo. Abaixo a massificação, alienação e padronização cultural!

A universidade brasileira está em crise. Esse é o coro de reitores, nós professores, estudantes e o nosso mundo acadêmico. Centenas de milhares de estudantes que recorreram ao FIES hoje são inadimplentes. Onde o mercado de trabalho para juventude? Onde as universidades brasileiras no ranking das melhores academias do mundo? O hiato entre a realidade brasileira e o nosso mundo universitário é imenso.

Por que importar milhares de médicos? Não os temos? Não os formamos? Se a carreira de magistrado se inicia nos rincões mais distantes, e, cumprindo etapas, tem aumentada sua remuneração e se aproxima dos grandes centros urbanos, por que o mesmo não se dá com médicos e demais profissionais? No México para obter seu diploma o concluinte do curso superior tem de prestar pelo menos dois anos de serviço público, quer seja na rede pública ou privada. Por que não no Brasil?.

Quando o saudoso Darcy Ribeiro concebeu a lei orgânica do ensino superior estabeleceu a autonomia universitária, porém não pensava ele em criar ‘‘planetas fora do sistema solar’’, na verdade em estimular, com liberdade, um mundo de pesquisas, de ciências, a serviço da sociedade.

O repasse de recursos para universidade brasileira deveria ser proporcional ao serviço que esta venha a prestar a sociedade brasileira. Que a atual inadimplência dos nossos jovens para com FIES não seja anistiada, sim convertida em serviço público. É com ética que se constrói a verdadeira revolução da educação brasileira.

* Licenciatura em Historia, Geografia e Filosofia pela Universidade Católica de Salvador – UCSAL (1970/73)
• Bacharelando em Ciências Sociais – Sociologia pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (1970/73)
• PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU: – Docência do Ensino Superior Carga horária: 460 horas-aula pela Faculdade Entre Rios do Piauí – FAERPI – 15 DEZ. 2013
• Gestão Pública – Carga Horária: 500 horas-aula – Faculdade EINSTEIN – FACEI – 15 MAIO 2015
• Parapsicologia – FACULDADE ANCHIETA/SP – 1975
Cursos: Inglês- Brasil/Estados Unidos – SSA/BA – Frances- Casa da França – SSA/BA
• Doutorado – Doutor Honoris Causa – Erich Fromm Word University Inc – 2017 – Miami/Flórida-USA

 

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